Modificações nos games, quando bem feitas, são sempre bem vindas. Um dos maiores exemplos disto é o famoso Counter Strike, ''mod'' do clássico Half Life que colocava dois times para disputarem resgate de reféns, armar ou desarmar bombas, entre outros embates. A modificação chegou a virar jogo oficial e completo, vendido separadamente. Com toda a certeza você conhece, ou conhece alguém que joga. Existem por aí outras modificações não tão famosas quanto Counter Strike, mas ainda assim bem conhecidas entre os jogadores em geral, principalmente de PC, e Defense of the Ancients é uma delas.
Mais conhecido como DotA, este mod utiliza como base o famoso Warcraft III, da Blizzard. A modificação é, na verdade, um mapa feito por fãs que foi se aprimorando com o passar dos anos. Lançado em meados de 2003, o mapa coloca equipes de jogadores em dois lados do cenário disputando terrenos para ver quem destrói primeiro o Ancient, ou quartel general, inimigo. Ao invés de controlar uma facção inteira, construindo edifícios e estruturas, bem como invocando seus exércitos, o jogador entrava na pele de apenas um herói pré-selecionado que devia comandar os esquadrões de ''creeps'', os soldadinhos controlados pelo computador enviados para combater no lado inimigo.
O sucesso de DotA foi tanto que a própria Blizzard o reconheceu, mesmo que não oficialmente, como um mod de Warcraft III e permitiu partidas em seus servidores da Battle.Net. Campeonatos por todo o mundo, como o World Cyber Games, incluiram a modalidade em suas categorias e em alguns países europeus virou uma febre tão popular quanto o próprio Counter Strike, principalmente na Suécia e na Russia. Foi na Suécia também que o mod virou até tema de música, chamada de ''Vi sitter i Ventrilo och spelar DotA'' (''Estamos no Ventrilo, jogando DotA''), do DJ Basshunter. Tal sucesso não impediu que outros jogos se inspirassem em DotA, o que não tardou para ocorrer. Demigod é um destes jogos, e é um bom exemplo da máxima: ''Se quer copiar, que o faça direito''.
O título vem na aba do sucesso de DotA sem o menor pudor ou pretensão em disfarçar. As semelhanças começam nos primeiros menus, já na seleção de times e combatentes, divisão de categorias, times, entre outros elementos. Algumas diferenças básicas foram incluídas, como os ''semi-deuses'', que são o equivalente aos heróis de DotA. Além disso, outras minúcias na jogabilidade foram, de certa forma, aperfeiçoadas, para oferecer um novo patamar estratégico ao gênero.
Um dos destaques que vem à vista logo de cara é a parte gráfica. Enquanto o objeto de inspiração usa como base os gráficos e engine de Warcraft III, Demigod avança no quesito e possui um motor gráfico próprio, o que produz belíssimos modelos e personagens e creeps, mesmo ao aproximar bastante a câmera com o scroll do mouse. Faça o teste quando e se for jogar, escolha o personagem Regulus, que possui uma habilidade de criar asas de anjo e aproxime o zoom. É possível ver cada pena das asas se movendo individualmente. O mais interessante disso é que Demigod não é um jogo pesado, apesar de muito bonito. Seus requisitos permitem rodá-lo em um PC modesto, com 512MB de memória Ram e uma placa de vídeo com 128MB. É claro que para ver todos os efeitos em seu total explendor é necessário ter uma configuração um pouco mais ''parruda'' do que isso. A parte sonora também é caprichada, com falas engraçadinhas e uma trilha sonora inspiradora.
Mas, felizmente, o título não se resume apenas a gráficos e um som primoroso. Toda a jogabilidade frenética de guerra em tempo real está ali, intacta, porém melhorada. Antes de cada batalha você escolhe seu herói e configura seus inimigos e aliados. Cada partida suporta dois times de até quatro jogadores em cada lado. É possível jogar sozinho, com bots no seu time e/ou no time adversário, ou apenas você e outro adversário controlado pelo computador. Porém, a graça do jogo reside no multiplayer, seja online ou em rede local. Disputar partidas com um total de oito jogadores não tem preço, o caos toma conta da tela, no bom sentido, de tanta gente junta se digladiando, ainda mais quando se jogado em uma arena pequena. As condições de vitória podem ser alteradas entre ''destruir a base inimiga'', ''conquistar uma certa porcentagem de território'', ''eliminar os heróis adversários'' e ''conquistar uma certa quantidade de torres adversárias''. Cada vitória ou derrota também é computada para um ranking no site oficial, que puxa diretamente dos servidores do game.
As minúcias alteradas durante as partidas estão incluídas nas configurações de itens, níveis do personagem, entre outros elementos. A cada nível é possível escolher uma nova habilidade ou um novo nível para as habilidades já possuídas. A interface é extremamente amigável e básica, não poluindo a tela e se centralizando na visão do jogador. Sua estrutura principal também possui níveis próprios que fortalece seus creeps e suas torres de defesa. Há também uma estrutura básica que vende itens e equipamentos. Em DotA, há elementos semelhantes, mas em maior quantidade e com uma interface um pouco complicada para os novatos. Neste caso é ponto para Demigod, por simplificar sem perder a essência e a funcionalidade. Cada arena de combate traz também algumas bandeiras, que podem ser conquistadas pelo seu exército e, com isso, render pontos de experiência ao seu demigod.
Cada herói, ou semi-deus, possui habilidades próprias que deixam todos equilibrados entre si. Alguns deles possuem duas instâncias de combate, o que varia ainda mais a jogabilidade e valoriza a estratégia. Por exemplo, o herói Torchbearer tem a habilidade de revezar entre uma forma de gelo e uma de fogo, cada uma com possibilidades diferentes. Isso valoriza os estrategistas, que são o principal alvo do game, já que uma instância geralmente tem elementos que a outra não tem, o que obriga o jogador a variar entre as habilidades e montar um plano de combate próprio. O jogo também traz um sistema de conquistas internas individuais para cada herói, que geram ''Favor Points'', usados para comprar itens únicos que fornecem habilidades extras.
O próprio design das fases é bem variado e exige uma estratégia diferente para cada arena. Além disso, cada estágio possui um visual arrebatador, que geralmente traz uma figura maior em seu fundo. Por exemplo, um cenário que é o topo de um cristal, por dentro dele você enxerga um demônio imenso congelado. Ou outro que se parece o caminho da serpente de Dragonball, na verdade é uma estátua gigante de uma serpente lutando contra um homem. Ao afastar a câmera com o scroll do mouse é possível enxergar a magnitudade das figuras, e ver suas minúsculas unidades lá embaixo, como se o jogador fosse um deus, controlando os deuses menores, ou semi-deuses.
Um dos problemas de Demigod, praticamente o único problema aliás, está na história... que é inexistente. Na verdade, ela está no manual do jogo e envolve, resumidamente, a guerra entre dois reinos e seus semi-deuses, os ''Assassins'' e os ''Generals''. O game não oferece qualquer modo de campanha ou história. Há apenas os modos ''Skirmish'' e ''Tournament'', que são, respectivamente, uma batalha casual e um torneio para oito lutadores (quatro de cada lado) em busca da maior pontuação e maior destruição. Isso é um ponto negativo pois, se uma pessoa nunca jogou ou se interessou por DotA, dificilmente irá jogar uma partida de Demigod ou achar o jogo interessante, pois ele é estritamente multiplayer e não oferece um modo de história, mesmo que básico.
Demigod é uma bela aquisição para aqueles que amam o gênero de estratégia em tempo real de DotA. O título traz, essencialmente, a mesma jogabilidade de seu inspirador, com direito a telas de menu idênticas, mas com pequenas melhorias nos sistemas de combate e evolução. Além disso, o jogo simplifica outros elementos como a escolha do herói, sua ''árvore'' de habilidades, a compra de itens e outros elementos. Os gráficos em Demigod são de alto nível, mesmo sendo um jogo relativamente leve, com modelos detalhados até se vistos bem de perto. Toda a graça está nas partidas multiplayer, seja online ou em rede local, por isso a ausência de um modo campanha pode frustar alguns jogadores, principalmente quem nunca teve contato ou não é fã de DotA. De qualquer forma, Demigod é um belo título para se jogar com os amigos, as partidas duram em média 30 ou 40 minutos e cada movimento estratégico é fundamental para a vitória no campo de batalha. Perfeito para quem gosta de se preparar ou pensar antes de bater.
Requisitos mínimos de sistema
Sistema Operacional: Windows XP SP3/Vista SP1
Processador: Pentium 4 @ 1.8 GHz
Memória: 512 MB
Memória de vídeo: 128 MB (nVidia GeForce 6800/Radeon 9800)
Placa de som: DirectX Compatible
DirectX: 9.0c
Teclado e Mouse
DVD Rom Drive
Conexão banda larga para partidas multiplayer
Requisitos recomendados de sistema
Sistema Operacional: Windows XP SP3/Vista SP1
Processador: Pentium 4 @ 3 GHz
Memória: 1 GB
Memória de vídeo: 256 MB (nVidia GeForce 7600/ATI Radeon x800)
Placa de som: DirectX Compatible
DirectX: 9.0c or 10
Teclado e Mouse
DVD Rom Drive
Conexão banda larga para partidas multiplayer
Configuração usada no review
Sistema Operacional: Windows Vista 64-Bit SP1
Processador: Intel Core 2 Quad CPU Q8300 2.5 GHz
Memória: 4 GB de RAM
Placa de Vídeo: NVIDIA GeForce 9800 GTX+ 512MB VRAM










