Daiku no Gen-san (literalmente ''O Pedreiro Gen'') é uma série de games da produtora Irem que nasceu nos arcades e teve versões para NES e SNES durante o final dos anos 80 e início da década de 90, fazendo fama em máquinas de pachinko em território japonês. A franquia narrava a história de Gen, um jovem pedreiro que lutava contra forças malignas de mega corporações construtoras de moradias para ricos e gente da alta sociedade. Os games da série nunca tiveram qualquer relevância no mercado ocidental e apenas um saiu do Japão até então. Chamado de Hammerin' Harry, o game de SNES trazia uma aventura de plataforma com o jovem pedreiro, rebatizado, de acordo com o título, de Harry.
Com o passar dos anos, o personagem foi ganhando certa popularidade nos Estados Unidos, graças a uma série de animê com episódios de nove minutos baseada nos games antigos, mas com novos elementos. Com isso, a Irem, em parceria com a Atlus, resolveu lançar mais um Daiku no Gen-san não só no Japão, mas também no mercado ocidental com o nome de Hammerin' Hero. Gen, desta vez, manteria seu nome original, para a alegria dos puristas.
Hammerin' Hero coloca o intrépido Gen novamente contra uma organização maléfica de construção civil, capitaneada pelo malvado Hyosuke Kuromoku. O fato é que a tal organização quer destruir toda a vizinhança de Gen para construir novas edificações modernas. Assim sendo, o herói do martelo precisa partir em uma jornada em 12 fases para impedir os planos de Kuromoku e deixar todos felizes, quase que literalmente. A história não é das mais criativas e recicla elementos dos títulos anteriores. Porém sua única pretensão é servir de base para que o game aconteça e, de certa forma, simular animês antigos, com enredos simples, mas divertidos.
Falando em simulação, toda a parte gráfica de Hammerin' Hero é feita de forma quase SD em três dimensões, ou ''super deformed'', aqueles bonecos pequenos com cabeções de games antigos (como Final Fantasy VII). O interessante aqui é a incrível semelhança no modelo dos personagens com o Buddy Poke, aquele aplicativo do Orkut com bonequinhos que podem interagir com outros amigos no estilo ''fulano deu um beijo em ciclano''. O efeito ficou caprichado, mas de vez em quando existem muitos personagens na tela, o que causa irritantes efeitos de slowdown e inconsistência de framerate. Ao que parece, os produtores sabiam que este problema iria ocorrer, pois os personagens de fundo, que compoem o cenário, são feitos de texturas chapadas e não em objetos 3D. Podemos dizer que o jogo é um 2.5D, com personagens em três dimensões e cenários em progressão lateral 2D. Ah, fique atento nos cenários, pois surgem algumas pseudo-homenagens para outros famosos animês.
Já a jogabilidade é bem simplificada. Em se tratando de um legítimo game de plataforma, não teria como inovar muito, mas também não dá para ser simplório. Para avançar no estágio, o nosso ''Hero'' derrota os terríveis construtores do mal e ajuda pessoas esmagando seus problemas (que são mostrados com balõezinhos de falas tristes). Os comandos são básicos: direcional e analógico movem seu personagem; pula com o X; ataque primário com quadrado; ataque secundário com triângulo, este segundo pode ser carregado em algumas roupas. Falando em roupas, elas são uma das principais características do jogo. Ao avançar as fases, Gen vai recebendo novas roupas e profissões. Começando de pedreiro, o jovem vai progredindo para chef de cozinha, DJ, mergulhador, jogador de beisebol e até mesmo homem de preto. Ao terminar o game, novas profissões extras são destravadas. Cada ''job'' tem golpes distintos, mas só em efeitos visuais, pois na prática desfere o mesmo tipo de dano nos inimigos. Porém, todas elas possuem um ataque especial, este sim distinto para cada profissão, com poderes, alcance e efeitos diferentes.
Outro elemento presente na gameplay é o menu intermissão, que adiciona alguns elementos de RPG ao jogo. No menu você pode escolher determinado estágio, mudar de profissão, verificar seus status (tempo de jogo, número de profissões, etc), salvar, configurar o jogo (com opção de vozes em inglês ou japonês, por exemplo) e verificar seu sistema de armazenamento (storage). No ''Storage'' é onde ficam os elementos mais interessantes depois das profissões. Aqui é possível, por exemplo, ler cartas de agradecimentos das pessoas que são salvas durante as fases. Cada uma mais engraçada do que a outra, diga-se. É possível conferir status de cada estágio, bem como a porcentagem de tarefas. Um dos pontos mais interessantes em ''Storage'' é um sistema de troféus interno do próprio jogo. Funciona da mesma forma que os troféus do PlayStation 3, completando determinadas metas para angariar suas conquistas.
O maior problema de Hammerin' Hero é a sua duração. É possível terminar o jogo, fazendo até uma quantidade razoável de extras, em cerca de uma hora e trinta minutos. Conseguimos esta ''proeza'' completando 90% do que o game oferece, mesmo com o material extra como outras roupas e os troféus. Até para um portátil a duração de um game precisa ser um pouco maior do que essa. Imagine comprar seu jogo favorito em uma loja e terminá-lo minutos depois, sem a pretensão de jogar novamente. É frustrante. Sem falar no desafio que é quase nulo e com dificuldade desregulada entre as fases. O segundo estágio é mais fácil que o primeiro, e por aí vai. A inteligência articial dos inimigos não ajuda e pouquíssimos deles oferecem real ameaça - mesmo que o foco do game não seja ser hardcore, faltou desafio. Ao menos existe um modo multiplayer que permite jogar a aventura com um amigo, controlando outro Gen, cada um em um PSP.
O som do título não é nada de grande destaque, mas os efeitos são bem trabalhados. Batidas do martelão do personagem, bem como golpes, passos, coisas se quebrando, tudo bem feito. A música é naquele clima alegre que um personagem de animê ''fofinho'' exige. Como já citamos, existe a possibilidade de optar por jogar com vozes em inglês ou no original japonês. Prefira sempre as vozes originais. A dublagem em inglês não chega a ofender, como ocorre em outros jogos baseados em animês, mas as vozes japonesas trazem a entonação certa, bem como melhor qualidade.
Hammerin' Hero se preocupa em simular uma clássica animação japonesa – sem ter que apelar para o fan service – e faz isso com certo sucesso. O problema é que como jogo não funciona. As batalhas são repetitivas, com comandos simplórios e inimigos de inteligência articial quase nula. Não há um desafio muito grande a ser encarado, o que te leva ao pior dos defeitos do título, sua duração. É possível terminá-lo em menos de duas horas corridas, até realizando uma quantidade considerável de extras. Ao menos os gráficos são bonitinhos, e curiosamente lembram aquele serviço de Buddy Poke do famoso Orkut. Mesmo assim, a apresentação é prejudicada pela framerate incrivelmente instável. Vale a pena dar uma chance caso você seja fã dos primeiros títulos. Caso contrário, é altamente dispensável.












