Em 2002, a Mithis Entertainment, uma produtora recém-fundada com base na Hungria, iniciou a produção de três títulos que na ocasião vinham chamando a atenção dos aficionados. O primeiro jogo a chegar às lojas, em 2005, foi "Creature Conflict: The Clan Wars" para PC e Xbox, que foi bem recebido pela crítica e despertou o interesse da SCi/Eidos, que adquiriu o estúdio em 2006 transformando-o na subsidiária "Eidos Hungria". Por conta disso, os projetos mudaram seus nomes: "Imperium Galactica 3: Genesis" virou "Nexus: The Jupiter Incident", e "Midway - Naval Battles" se tornou "Battlestations: Midway" antes de seus respectivos lançamentos. O segundo título foi um mix de estratégia com combate em tempo real que relativamente se saiu bem nas avaliações, com 76 de média segundo o site Metacritics (versão PC).
Em sua segunda empreitada, a franquia retorna com Battlestations: Pacific, reforçando seus próprios pontos negativos, oferecendo mais conteúdo e diversificação na hora de controlar seus veículos em combates sobre o Oceano Pacífico. E como o resultado ficou incrível. O título coloca os jogadores em meio a conflitos históricos ocorridos na região durante a Segunda Guerra Mundial, seja como um capitão ou comandante nas forças dos aliados, seja a bordo de embarcações e bombardeiros japoneses. Apesar da inspiração histórica, o jogador tem a chance de seguir os eventos e confirmar a vitória dos aliados em sua campanha, ou mudar a história e o lado vencedor, realizando com sucesso as missões da força japonesa – mas, diferente do primeiro, não vivenciaremos os eventos na pele de apenas um soldado.
Durante qualquer uma das campanhas o jogador seguirá uma história dividida em dezenas de combates aéreos e marítimos, baseados em conflitos reais, e cada capítulo é formado por missões variadas que, para o bem do próprio título e do jogador, ajudam a manter o entretenimento e interesse em alto nível. Em ambas as campanhas, que juntas oferecem 28 missões de extensões diferentes, o jogador aprende primeiro a lidar com os controles dos aviões, e depois a cuidar das frotas em alto-mar, onde reina a maior da estratégia.
A controlabilidade dos aviões é bastante convincente, e o jogador pode sentir as notáveis diferenças entre pilotar um ágil SBD Dauntless e um bombardeiro, ainda mais sensível na hora de realizar manobras com o leme ou os flaps das asas de sustentação. As armas também características próprias na hora de serem usadas: a queda das bombas deve ser "calculada" no "olhômetro", usando a mira presente apenas como referência; mísseis não podem ser liberados se o avião não estiver próximo do mar e em paralelo, com risco de ele quicar na água ou até passar por baixo do alvo. São essas centenas de variantes possíveis presentes na gameplay que enriquecem e deixam o título bastante apreciável.
Aos poucos o jogador é apresentado às diferentes situações existentes do game, mas no início é preciso lidar apenas com as características em tempo real do jogo. No controle de uma aeronave, é preciso realizar objetivos variados como abater inimigos aéreos, bombardear alvos terrestres e/ou marítimos, em missões de ataque e defesa. No game, existem vários tipos de caças, porém o que realmente é mais presente são aeronaves do tipo bombardeiro, cuja eficiência contra navios o torna uma escolha óbvia dentro do título. Os jogadores controlarão modelos muitos famosos de época como os bombardeiros de mergulho Curtiss SB2C Helldiver, Douglas SBD Dauntless, os torpedeiros Douglas TBD Devastator, Fairey Swordfish e General Motors TBM-3 Avenger, os bombardeiros de nível Boeing B-17 Flying Fortress e o North American B-25 Mitchell, e os caças Brewster F2A Buffalo, Chance Vought F4U Corsair, Curtiss P-40 Warhawk, Grumman F4F Wildcat, Grumman F6F Hellcat, Hawker Hurricane, Lockheed P-38 Lightning. Isso tudo faz parte do exército dos aliados, e não citamos navios nem as unidades japonesas (como seus kamikazes). Só vamos mencionar que há 100 unidades entre autênticas e protótipos.
Mesmo no controle de apenas uma unidade, é possível enviar ordens simples para seus subordinados, mandando que ataquem com tudo, ajam defensivamente, mantenham a formação ou ajam livremente. Quem não estiver satisfeito em apenas assistir as unidades controladas pela CPU agirem pode alternar em tempo real entre elas e tomar o controle de qualquer uma em ação. Através de um menu é possível selecionar uma ação específica para aquela unidade como "atacar certo alvo" ou se "dirigir para o local X", e ao trocar o controle ela fará exatamente aquilo, e uma vez concluída retornará aos cuidados da CPU. O jogador pode fazer isso com cada uma das unidades a qualquer momento, o quanto quiser.
A parte de estratégia existe nas missões aéreas, mas ela é mais visível quando estamos controlando as esquadras. Por se tratarem de veículos mais lentos, o jogador pode alternar mais vezes entre elas, embora as ações sejam muito mais demoradas. Se locomover de um lugar a outro pode levar um ou mais minutos, e as missões se arrastam por muito mais tempo. É simplesmente como na vida real, mas não há como negar que os combates aéreos sejam muito mais frenéticos, mas os fãs de simuladores navais não vão reclamar.
Há vários tipos de embarcações e elas possuem também suas características próprias em termos de dirigibilidade, resistência, velocidade e armamentos. Há cruzadores leves, destroyers, fragatas, couraçados, torpedos, cargas explosivas, artilharia pesada, canhões, tudo para agradar os que curtem batalhas navais. Manobras evasivas para tentar fugir de torpedos também são possíveis, embora seja algo difícil de realizar na prática. E para manter o elemento gerenciamento presente, conforme os barcos sofrem danos, é possível mandar ordens específicas para sua tripulação. Por exemplo, se houver fogo na popa, eles podem apagar e impedir que danos maiores. Se os motores pararam, mande-os consertar. E o navio estiver na sobrevida, uma ordem de reparo geral servirá para recuperar parte da "energia".
Além dessas embarcações, os jogadores também terão controle sobre submarinos que, obviamente, se locomovem por debaixo d'água. Essa possibilidade amplia ainda mais as opções dentro do jogo, mesmo não sendo algo perto da complexidade de um verdadeiro simulador do tipo, como Silent Hunter, mas há algumas variantes. É possível usar sua furtividade para atacar enquanto não é notado, mas também é preciso atentar ao nível de oxigênio.
Muitas das unidades presentes no jogo só são habilitadas com o tempo, com a conclusão das missões. Na primeira fase da campanha dos aliados, por exemplo, só temos acesso ao SBD Dauntless, porém os mais potentes F4F Wildcat e TBF Avenger estarão disponíveis posteriormente, permitindo que a missão seja concluída com mais facilidade. Na segunda missão japonesa, o G4M Betty surge após o jogador ser bem sucedido com seu G3M Nell. Isso também facilita a vida de quem deseja concluir os "objetivos escondidos", que na verdade não são tão secretos assim, pois no "briefing" há a exata explicação do que é preciso fazer – destruir todos os inimigos da fase, por exemplo.
Os controles das aeronaves de uma forma geral são muito bons e responsivos, em especial dos aviões, embora usando o pad do Xbox 360 no PC sentimos falta de um ajuste de sensibilidade na hora de controlar a mira. Isso também vale para as poucas vezes que ficamos no comando manual de canhões – acertar alvos em movimento não foi muito fácil. As ordens podem ser emitidas através de menus em forma de anel, rápida e facilmente.
A parte gráfica de Battlestations: Pacific oferece a qualidade necessária para que as batalhas se tornem críveis. Os modelos são bem fiéis e detalhados – há até tripulação visível e se movimentando nas embarcações e canhoneiros visíveis nos aviões – mas de uma forma geral tudo é mais simples que outros games do gênero. Em compensação, há momentos em que as batalhas envolvem muitas unidades simultaneamente, sem nenhum slow down ou outros desconfortos. Talvez os efeitos visuais pudessem ter sido mais bem trabalhados: se por um lado temos destroços de aviões caindo ou boiando, a colisão de um avião na água, por exemplo, não é muito bacana. Em compensação, há climas e horários diferentes, permitindo missões de dia, à noite, e sob forte temporal.
Além das duas campanhas, os jogadores podem participar de um modo de treinamento que explica todas as particularidades do jogo e das unidades, gradualmente. Outra opção válida de treino é o Skirmish, onde é possível apreciar os cinco mapas multiplayers usando "bots" no lugar de jogadores reais. Quem curte desafio poderá realizar as missões em três níveis de dificuldade diferentes, sendo o mais fácil (rookie) ideal para quem está começando e o veterano, de fato, para quem não se importa de ver seguidas telas de Game Over.
Voltando ao multiplayer, há cinco modos diferentes que permitem partidas com até 16 jogadores. O primeiro deles é o "Escort", onde caças aliados devem defender uma frota até que ela chegue a um determinado ponto. Enquanto isso, caças japoneses tentam destruir os navios. No "Siege" é preciso defender dos céus as linhas costeiras de navios que tentam atracar. O "Competitive" é o típico Deathmatch, onde unidades controladas pela CPU são alvo dos jogadores que competem por mais kills e pontos. Já no "Duel", os jogadores selecionam uma classe e se enfrentam usando veículos do mesmo tipo (cruzadores vs cruzadores; submarinos vs submarinos). Talvez tivesse sido uma boa ideia oferecer a chance de os jogadores se confrontarem usando unidades diferentes, como naquele "Conquista do Mundo" de Odyssey. Por fim, temos o Island Capture, que nada mais é que o "Capture the Flag", onde os jogadores competem por postos de vigia situados em ilhas. As partidas nesse modo duram de 30 minutos a até 2 horas. São oito mapas que servem de palco para os embates dos modos, e em todas as opções é possível jogar via LAN ou "Live", e felizmente a experiência é praticamente a mesma, com quase lag algum.
Battlestations: Pacific é um "bombril" muito apreciável. Simulador de vôo, simulador de navio, game de estratégia, tudo em um só pacote. Apesar da existência do elemento de gerenciamento, o forte do jogo está mesmo em sua parte de "tempo real", onde podemos controlar veículos de guerra fiéis às suas versões originais que estiveram em combate no Pacífico nos anos 40, com armas de época, uma gameplay bastante eficaz e divertida. A sequência melhora o original em quase todos os sentidos e caso você ainda tenha aquela sede de jogos de guerra e não se incomode em revisitar mais uma vez os palcos da Segunda Guerra Mundial, pode ir com vontade que esse título tem o que você precisa.
Requisitos Mínimos
- Sistema Operacional: Windows Vista/XP
- Processador: 3Ghz ou processador de core único superior
- Memória: 1GB RAM (XP) / 2GB RAM (Vista)
- 8GB de espaço livre em HD
- Placa de Vídeo com 256MB de Memória (GeForce 6800GT+, ATI Radeon X1800+)
Configuração usada no review
Sistema Operacional: Windows Vista 64-Bit SP1
Processador: Intel Core 2 Quad CPU Q8300 2.5 GHz
Memória: 4 GB de RAM
Placa de Vídeo: NVIDIA GeForce 9800 GTX+ 512MB VRAM
Gamepad USB Microsoft X360











