Era uma vez uma empresa chamada Harmonix, uma desenvolvedora de games fundada em 1995 com o intuito de fazer alguns joguinhos utilizando conceitos musicais. A tal Harmonix começou sua carreira timidamente, lançando The Axe, seu primeiro jogo, para os PCs, seguindo o estilo de simulação musical, colocando o jogador para ''tocar'' alguns solos usando o mouse. Em 1997, a galerinha bacana da produtora resolveu ir ao Japão, em um passeio para conhecer os amiguinhos da Konami, desenvolvedora do então popular Dance Dance Revolution, que coloca pessoas felizes para dançar até hoje em shopping centers. Com a experiência adquirida na terra dos Pokémon, a Harmonix desenvolveu FreQuency e sua sequência, Amplitude, seus primeiros games com algum relativo sucesso, para o PlayStation 2.
FreQuency e Amplitude foram populares games musicais em uma época onde tal gênero mal existia, ao menos para o grande público. Ambos possuiam uma mecânica simples de seguir pontos em um tipo de ''pista'' e, com isso, formar o ritmo das canções, geralmente baseada em tecno e remixes. O sucesso foi tão grande que, tempos depois, a Harmonix resolveu inovar um pouquinho mais e lançar, em parceria com outra amiguinha – a RedOctane, o primeiro Guitar Hero, precurssor do que seria o real firmamento e o início do sucesso do gênero musical nos games. A novidade vinha em formato de um controle-guitarra, com cinco botões e um tipo de palheta. Como a série GuitarFreaks, da Konami, não havia sido lançada no ocidente, Guitar Hero tomou seu lugar de supetão.
Infelizmente, como nem tudo são flores, a Harmonix foi adquirida pela MTV para novos projetos musicais (e, por sua vez, mais ambiciosos), o que gerou um racha com a sua mais recente parceira, a RedOctane, responsável pela parceria que gerou os sucessos de Guitar Hero, o que passou os louros da vitória para a Activision. Meses depois, o tal projeto que a MTV queria nasceu em forma de Rock Band, a evolução natural de Guitar Hero, que trazia não só o controle de uma guitarra mas também baixo, bateria e até vocal, algo até então inédito, mesmo nos jogos japa-raio-laser vindos da terra do sol nascente, levando a inovação a patamares nunca antes atingidos. E assim, Rock Band foi o sucesso que é hoje em dia, gerando uma continuação, algumas expansões e até um futuro e cobiçado jogo exclusivo dos Beates, a ser lançado mais para a frente.
No entanto, faltava algo para a franquia. Ok, é muito legal chamar seus amigos para tocar alguns instrumentos de plástico na sala e fazer aquela farra com refrigerante, pizza e doritos. O problema é quando a festa acaba e você tem que se despedir daquela galera toda e jogar Rock Band só com um instrumento e só na sua casa, já que todos eles são pesados para se levar em qualquer lugar. Chato, né? Pois seus problemas se acabaram! Graças à Harmonix, agora existe Rock Band Unplugged, para que sua diversão se prolongue em qualquer canto da Terra. Brincadeiras à parte, a principal premissa do game é proporcionar a mesma diversão que as versões de console proporcionam, mas de forma simplificada. E não é que funciona?
Primeiramente, baixe a guarda do preconceito e atente ao fato da jogabilidade ter sido modificada, mas não tanto a ponto do jogo se tornar irreconhecível. Não há instrumentos, até porque, seria um pouco complicado inserir instrumentos de plástico para serem jogados no PSP. ''No Nintendo DS funcionou com o Guitar Hero'', você pode afirmar corretamente, mas o portátil da Sony não tem um formato tão anatômico quando o DS e muito menos uma tela de toque. Pensando nisso, a Harmonix pegou emprestada a jogabilidade de outros jogos de seu catálogo, mais precisamente Frequency e Amplitude, de PS2, para que ''Unplugged'' seja jogado de forma satisfatória somente com os dedos.
Para começar a tocar seus primeiros acordes ou batidas, é muito simples: os botões triângulo, bola, digital para cima e digital esquerdo representam as notas nas cores vermelha, amarela, verde e azul (não há laranja). O sistema funciona de forma similar às versões de console, com ligeiras alterações. Em ''Unplugged'' você toca todos os instrumentos, de certa forma ao mesmo tempo. Durante as músicas, quatro faixas de ''notas'' passam pela tela, cada uma representa uma parte da banda: guitarra, bateria, baixo e vocal. Isso mesmo, você toca até o vocal, mas explicaremos isso com calma mais para frente. Voltando à jogabilidade, como dissemos, ela se inspira em Frequency. Com os botões laterais, ''L'' e ''R'' é possível alternar entre as ''pistas'' (vamos chamar de chartnotes) de instrumentos de acordo com o ritmo. É complicado de explicar, mas vamos tentar: Em cada sessão de notas, há um tipo de borda que envolve cada chartnote. Acertando as notas de forma correta, uma última e mais brilhante indica que você pode trocar de chart sem se preocupar em perder pontos, a partir dali o jogo se encarrega de deixar aquele instrumento no automático por um tempo, para você repetir o ciclo em cada sequência. Parece confuso, mas não é.
Curiosamente, a cadência de notas foi ligeiramente alterada em relação às versões para console. Enquanto no Rock Band de PS3 e Xbox 360 as notas prezam por seguir ou se assimilar o mais próximo possível de um instrumento real, em ''Unplugged'' as notas se preocupam mais em gerar um certo ritmo com os dedos do jogador. Tal jogabilidade permita uma fácil assimilação de todo o sistema por conta de quem está jogando, que passa a acompanhar a canção através de uma ritmicidade que a cadência de notas sugere. Isso não é tão notável no nível de dificuldade mais fácil, mas pode ser reparado já da dificuldade média para cima. Falando em dificuldade, ela está bem equilibrada, se o jogador entender como funciona a jogabilidade. Mais uma vez entra o sentido de ritmicidade. Se você pegar de vez esse sistema, até mesmo os níveis mais difíceis parecerão fáceis após algumas jogadas. O vocal, por um exemplo, segue notas coloridas de acordo com a entonação do vocalista. A bateria não segue o comum passo marcado de uma nota representanto o prato guia e outra representando o surdo, mas sim segue uma cadência mais criativa, onde o prato pode ser em qualquer nota colorida, de acordo com a musicalidade. Se você começa a falhar em determinado instrumento, ele para de tocar e a música fica, digamos, ''ruim de ouvir''. A ideia é manter tudo em uma grande harmonia, para que a canção siga sem interrupções e mais pontos sejam ganhos.
Outro elemento recorrente na série Rock Band, herdado de Guitar Hero, é o Overdrive, que concede mais pontos ao multiplicador. A cada grupo de notas brancas tocadas corretamente, a barra de Overdrive é preenchida. A técnica é ativada através dos botões X ou digital para baixo, e pode te salvar de algumas boas enrascadas quando se está perdendo em uma música. Com isso, temos o sistema completo dos Rock Bands para console, suprindo de forma criativa e eficaz a necessidade de qualquer periférico.
O restante dos elementos da jogabilidade se dividem entre os modos de jogo. O principal deles, ''Tour'', consiste em criar a sua banda e seguir a carreira musical para se tornar um rockstar. O modo de criação e bandas é interessante e completo, além de ficar devendo muito pouco para as versões de console. É possível criar e personalizar cada membro do grupo musical, comprar novas roupas, novos penteados, instrumentos, personalizar traços físicos e nome. Além disso, o logo da banda pode ser alterado (ou criado), bem como o nome do grupo. Em ''Band Profile'' você checa todos os status de sua carreira, como pontos conseguidos, dinheiro total disponível, fãs e seguidores além das estrelas obtidas ao executar músicas. O perfil mostra também a data em que sua banda foi criada, bem como o nome de cada membro. O ''Tour'' funciona da mesma forma que em todo jogo musical. Você passa por diversas cidades e palcos tocando uma seleção de canções e angariando fãs, estrelas, pontos e dinheiro. Similar a Rock Band 2, é possível contratar empresários que cuidam de alguns pontos de sua banda, como contratos e outras bobagens administrativas. Tudo perfumaria, pois cada empresário na verdade apenas influencia na quantidade de dinheiro e fãs que você consegue em cada show, para mais ou para menos.
De volta ao menu principal, há ainda o corriqueiro modo ''Quickplay'', onde você simplesmente escolha uma canção para tocar em qualquer dificuldade. Há a possibilidade de montar um setlist com a quantidade de músicas que você desejar. Para quem não está familiarizado com o sistema do novo game, existe o modo ''Training'', explicando cada setor da nova jogabilidade, com vídeos interativos. Uma gravação explica como funciona e você repete logo em seguida, é uma boa pedida dar uma passadinha por aqui antes de iniciar sua carreira. É desnecessário explicar a sessão ''Options'', mas os ''Extras'' merecem uma atenção especial.
Em ''Extras'' você vai encontrar outros modos de jogo, o que dá uma interessante variada no desafio. Começando por ''Band Survival Mode'' o jogo já toma uma forma um pouco diferente. Aqui não existe a tal borda branca presente nos modos principais e cada nota é valiosa. Você mesmo deve decidir quando alternar entre os instrumentos para que nenhum deles fique com o marcador muito baixo e, com isso, faça com que sua música termine. Em ''Warmup Mode'' é possível tocar apenas o instrumento que você desejar. Quer passar a música inteira só na bateria? Você pode. Apenas no vocal? Também. É possível alternar a qualquer momento da música e permanecer no mesmo instrumento até o final dela, enquanto os outros tocam automaticamente. Por fim, o ''Modify Game'' permite alterar alguns elementos do jogo, como ativar o modo ''No Failure'' (não perder, literalmente), ''No Solos'' (jogar sem solos) e ''Unlock All Songs'', para aqueles que tem pressa e querem logo jogar todas as músicas que o jogo oferece sem a necessidade de passar pelo modo de campanha.
Falando em músicas, podemos citar um ponto forte e um ponto fraco do game relacionado ao setlist. Por um lado ele é bem variado e irá agradar a diversos gostos e públicos, por outro é repetitivo em relação aos outros games musicais. Diga com sinceridade: Quantos jogos do tipo que você já jogou com alguma música famosa do ''The Police''? Ou do ''Foo Fighters''? Uma variedade nesse sentido seria bem vinda. Entretanto, algumas boas surpresas e até inesperadas se fazem presentes, como ''ABC'', do grupo pop ''Jackson 5''. Alguns clássicos, mesmo repetidos, são bem vindos, como ''Pinball Wizard'' do ''The Who'', ''Aqualung'' do ''Jethro Tull'' e ''The Killing Jar'' da banda precurssora do estilo gótico nos anos 80, ''Siouxsie & the Banshees''. Fãs mais novos de música vão gostar também dos hits dos anos 2000 inclusos na lista, como ''Our Truth'', da banda italiana ''Lacuna Coil'', ''Chop Suey!'' do grupo ''System of A Down'' e ''Gasoline'' do ''Audioslave''. Todas as músicas estão representadas em suas versões originais, ou seja, nada de covers. A qualidade do áudio, algo de extrema importância em um Rock Band, está acima da média, com todas as músicas em alto, claro e bom som. É recomendado, porém, o uso de fones de ouvido para sessões de jogatina.
Alguns probleminhas básicos atingem Rock Band Unplugged, mas muito deles ligados à questões técnicas menores. Por exemplo, há o clássico problema de sincronização dos músicos com a canção, onde os movimentos não casam, e o mais clássico ainda, relacionado à incompatibilidade entre música com vocal feminino e vocalista masculino. Podemos dizer também que os gráficos não são lá grande coisa, mesmo este não sendo o foco principal do jogo. Além disso, o sistema de retorno do pause é falho, pois a música retorna instantaneamente, o que pode causar alguma confusão para quem não lembrar onde estava durante a canção. Em Guitar Hero: World Tour, por exemplo, o retorno do pause acompanha uma pequena contagem regressiva que permite um melhor reconhecimento da posição prévia das notas.
Porém, o maior problema de ''Unplugged'' está na ausência de um modo multiplayer. Não há o modo para mais de um jogador, nem local, nem online. Seria muito interessante jogar com quatro PSPs, cada um responsável por um instrumento, mas a Harmonix optou por não incluir tal funcionalidade no título. Nos consoles, um dos principais chamarizes é você é poder reuniar sua galera e executar as músicas mais pauleiras da história do rock, e aqui isso não se repete. Tudo bem que o jogo é em um videogame portátil, o que passa a ideia de uma jogatina solitária, porém divertida, mas é simplesmente estranho ter um Rock Band sem um modo multiplayer.
Apesar dos pequenos problemas, Rock Band Unplugged é um dos grandes títulos do PSP. A diversão, somada com a jogabilidade criativa e grande conteúdo (para um jogo portátil) fazem deste um dos jogos mais aditivos da atualidade. É difícil você largar o aparelho sem querer tocar mais uma lista de músicas e destrancar o próximo show. A jogabilidade, completamente adaptada de jogos como ''Frequency'' e ''Amplitude'', é diferente e dispensa de forma criativa a necessidade de periféricos em forma de instrumento, graças ao sentido de musicalidade passado pelo game para se aprender a jogá-lo. Mesmo sem um modo multiplayer – o que é um defeito bem chato – a longevidade de ''Unplugged'' é alta, graças a modos de jogo diversificados e a promessa da Harmonix em trazer músicas via download para seus usuários, o que já ocorreu (uma primeira leva já está disponível na PlayStation Network).
Confira a setlist completa, logo abaixo. As canções em negrito são exclusivas do game por tempo limitado, pois serão lançadas por download algumas semanas depois para Rock Band e Rock Band 2, nos consoles de mesa.
AFI - "Miss Murder"
All-American Rejects - "Move Along"
Audioslave - "Gasoline"
Black Tide - "Show Me the Way"
Freezepop - "Less Talk More Rokk"
Jimmy Eat World - "The Middle"
The Killers - "Mr. Brightside"
Lacuna Coil - "Our Truth"
Lamb of God - "Laid to Rest"
Modest Mouse - "Float On"
Queens of the Stone Age - "3's and 7's"
System of a Down - "Chop Suey!"
Tenacious D - "Rock Your Socks"
3 Doors Down - "Kryptonite"
Alice in Chains - "Would?"
Blink 182 - "What's My Age Again"
Foo Fighters - "Everlong"
Judas Priest - "Painkiller"
Lit - "My Own Worst Enemy"
Lush - "De-Luxe"
Mighty Mighty Bosstones - "Where'd You Go?"
Nine Inch Nails - "The Perfect Drug"
Nirvana - "Drain You"
The Offspring - "Come Out and Play (Keep 'em Separated)"
Pearl Jam - "Alive"
Smashing Pumpkins - "Today"
Social Distortion - "I Was Wrong"
Soundgarden - "Spoonman"
Weezer - "Buddy Holly"
Billy Idol - "White Wedding Part 1"
Bon Jovi - "Livin' on a Prayer"
Dead Kennedys - "Holiday in Cambodia"
Motörhead - "Ace of Spades"
The Police - "Message in a Bottle"
Siouxsie & the Banshees - "The Killing Jar"
Boston - "More Than a Feeling"
Jackson 5 - "ABC"
Jethro Tull - "Aqualung"
Kansas - "Carry on Wayward Son
Rush - "The Trees"
The Who - "Pinball Wizard"
Abaixo, a lista da primeira leva de músicas por download
30 Seconds to Mars - "The Kill"
Belly - "Feed the Tree"
Disturbed - "Inside the Fire"
Lynyrd Skynyrd - "Gimme Three Steps"
Muse - "Hysteria"
Mute Math - "Typical"
No Doubt - "Just a Girl"
Oasis - "Wonderwall"
Paramore - "Crushcrushcrush"
Red Hot Chili Peppers - "Under the Bridge"










