Prototype é o tipo de jogo que não cativa por screenshots. É daqueles que o jogador precisa ver em movimento para mostrar suas verdadeiras qualidades. Para começar, no lugar de um protagonista comum temos um super-anti-herói. Some isso a uma parcela enorme de Nova Iorque pronta para ser explorada e acrescente arranha-céus esperando para serem escalados. Isso sem falar nos super-poderes devastadores de Alex, capazes de destruir tudo ao seu redor rapidamente. Essa é a premissa desse título da canadense Radical e da Activision, que chega ao Xbox 360, PS3 e PC "arrasando o quarteirão".
O personagem principal na trama é o amnésico Alex Mercer e a narrativa conta, entre idas e vindas do passado recente a história de como ele, até então um ser humano normal, acorda em um necrotério com poderes sobre-humanos e sede de sangue. Se já não bastasse isso, o cara ainda vira alvo do grupo de elite da GENTEK, a organização por trás de uma contaminação generalizada causada por um vírus, que está transformando os humanos em seres bizarros. Alex é considerado um protótipo, e sua falta de memória só o deixa ainda mais enfurecido e motivado a encontrar as pessoas que fizeram isso com ele.
A história pode não ser das mais originais – já vimos em muitos outros jogos –, mas a maneira como as coisas vão acontecendo é que torna a narrativa mais interessante. A cada missão cumprida, o jogador percebe as mudanças na cidade, que começa a apresentar mais e mais locais contaminados, com pessoas virando mutantes deformes, e o caos se estabelecendo nas ruas. A primeira fase, no entanto, apresenta a cidade completamente transformada, um verdadeiro pandemônio instaurado nas ruas, e Alex dotado de todos os seus poderes, dando logo de cara o gostinho de poder aos jogadores. Após alguns saborosos minutos de pura adrenalina, com monstros lhe atacando, soldados atirando, helicópteros fuzilando e tanques mandando chumbo, o game dá uma leve freada nos ânimos dos jogadores, que passarão as próximas horas conhecendo a história de Alex e trazendo-o novamente à sua forma mais poderosa. Nada demais, afinal isso é bastante comum nos jogos de ação, sem contar que prende e muito a atenção do jogador, esteja jogando ou assistindo. No caso, o game retrocede alguns dias, para momentos antes da primeira contaminação, quando Nova Iorque ainda era "normal".
Claramente, o foco do jogo está nos poderes de Alex Mercer. O cara é dotado de força descomunal e outras habilidades incríveis graças a uma mutação diferenciada que aconteceu em seu corpo. Ele é capaz de moldar seus braços e transformá-lo em armas letais, cortantes e de concussão, como garras, lâminas, martelos, chicotes. Ele também pode se defender tornando seu braço em um escudo ou usar visões especiais (térmica ou infectada) que ajudam na hora de rastrear inimigos distintos. O sistema de combate é um pouco diversificado por conta da quantidade de opções de ataque e defesa, mas ainda existem outras ações como ataques ao chão que destroem tudo ao seu redor, golpes aéreos, e a possibilidade de arremessar pesados objetos contra turbas e/ou veículos.
Até aqui já foi possível perceber a sensação de poder que o game oferece ao jogador, mas ainda há mais. Além de podermos guiar veículos em determinadas partes do jogo e armas (úteis apenas em determinadas partes do jogo), Alex é capaz de subir em prédios na vertical, correndo e/ou saltando, no melhor estilo "Super-Parkour". Pular de um edifício para outro é "ficha" para ele, que também é capaz de saltar e pousar 40 andares abaixo sem nenhum arranhão (exceto no chão, que fica parcialmente destruído). Aliás, saltar de um prédio a outro ou correr pelas ruas pulando sobre os carros é a principal, e basicamente a única forma de locomoção no jogo. Alex também pode absorver (violentamente, diga-se de passagem) seres humanos, incluindo os soldados da GENTEK, e usar suas fisionomias como disfarce para se infiltrar em bases militares ou simplesmente andar sem ser notado – desde que você não use seus poderes na frente de ninguém. Absorver mutantes só serve para recuperar energia, exceto os especiais, que às vezes dão a Alex algumas de suas técnicas novas.
Algumas pessoas chaves, quando absorvidas, destrancam uma memória importante ligada à história do protagonista. Esta memória pode ser revista a qualquer hora na "Web of Intrigue" (Teia de Intrigas). Essa opção se encontra no menu principal onde o jogador tem acesso também ao sistema de upgrade. Cada missão executada e inimigo morto rende EPs aos jogadores que são usados para destrancar as habilidades de Alex, melhorar suas ações básicas (pulo, corrida, etc.) e torná-lo um ser praticamente impossível de ser parado. Eps também são adquiridas quando o jogador encontra as "Landmarks" – esferas azuis escondidas e espalhadas pelos topos dos prédios (há 200 no total) – e as "Hints" (esferas roxas), que também oferecem algumas dicas úteis – há 50 delas espalhadas pelas ruas. Outra forma de garantir os pontos para upgrade é realizando os mini-eventos. Paralelamente à história, os jogadores podem livremente escolher executar pequenas ações ou missões geralmente com tempo determinado (matar o máximo de mutantes usando uma habilidade específica, passar por chekpoints, absorver X cientistas, etc.) onde a quantidade de EPs varia de acordo com seu desempenho – em algumas delas rende também uma classificação indo de "normal" a "ouro", passando por "bronze" e "prata". Essas tarefas paralelas são bem gratificantes, levando em conta que se tornam necessárias para fortalecer ainda mais o personagem principal.
Graficamente, Prototype não é oferece muita qualidade. Os modelos são feios, os prédios são mal acabados, os veículos, em situações específicas, aparecem apenas em duas cores diferentes ("amarelo táxi" ou outra cor genérica) e a cidade em si parece mais uma maquete de papelão. Isso é graças às texturas em média e baixa resolução usadas em todo o jogo. Se essa foi uma escolha feita pela produtora para manter o jogo rodando suavemente sem slow downs, pop-ups ou quebras na taxa de quadros, a tática funcionou em boa parte (exceto quando se cai livremente – dá para ver algumas texturas aparecendo. No geral, o resultado parece um jogo de PlayStation 2 ou Xbox com alguns efeitos extras. A demo de Infamous, por exemplo, apresentava uma qualidade muito superior, só para se ter uma idéia. Pelo menos Prototype oferece um cenário imenso – não tão grande quanto um San Andreas, mas o suficiente para acolher tudo que se passa no game com larga folga e ainda oferecer um "distance view" fenomenal. É possível ver prédios a uma distância incrível.
A cidade em si é bastante movimentada e povoada, e isso sim é uma vantagem. Há dezenas de pessoas nas ruas, e elas agem de maneira relativamente natural, com pouquíssima variedade, é verdade, mas têm algumas reações distintas quando são empurradas por Alex, gritam e fogem desesperadas quando o herói mostra suas habilidades, etc. Os inimigos possuem uma inteligência artificial satisfatória, que não tenta inventar o bê-a-bá. A cidade em si é bem viva e aceitável dentro da proposta mais "arcadezona" do jogo.
Além da qualidade gráfica inferior, Prototype possui alguns pequenos problemas de física e colisão. Em determinados prédios, por exemplo, o game impossibilita de subirmos até o topo para pegarmos landmarks. Na hora do combate contra muitos inimigos, é complicado mirar em um inimigo específico, e como os golpes de Alex não têm um grande alcance no início, é um pouco difícil acertá-los de primeira.
Prototype não é um jogo visualmente bem acabado. Nem clama pela atenção dos jogadores aos seus mínimos detalhes. Mas amigos, como ele é divertido. O simples fato de dar ao jogador a possibilidade de agir como um super-anti-herói pela cidade é o ponto de partida das milhares de estripulias que são acometidas a seguir. As sensações de liberdade e poder são o que mais prendem a atenção dos jogadores, e esses conceitos são bem empregados dentro das missões presentes, onde os é preciso saltar prédios, navalhar mutantes, dilacerar agentes, absorver chefões, destruir carros, derrubar helicópteros e arrebentar tudo que estiver próximo. Quem puder deixar de lado a feiúra do jogo, conseguirá compreender a diversão que ele pode proporcionar.








