Transformers é uma franquia com uma grande história. E bota grande nisso. Nascidos a partir de uma parceria entre Japão e Estados Unidos para criar uma linha de brinquedos, os personagens foram tema de diversas vertentes do entretenimento. A mais famosa versão da série se encontra no desenho clássico, chamado de Transformers: G1, que foi o responsável por propagar a febre dos robôs que se transformavam em carros e outros veículos mais exóticos. A premissa básica era simples: de um lado os Autobots, robôs do bem liderados por Líder Optimus, ou Optimus Prime, contra os malvados Decepticons, liderados por Megatron (que tinha como forma alternativa uma pistola gigante, olha que legal). As duas classes se digladiavam na Terra após fugirem de seu planeta natal, Cybertron.
Não é novidade que o conceito, combinado com todos os brinquedinhos que se transformavam, fizeram a cabeça da garotada na época, juntamente com outros sucessos envolvendo bonecos, como os G.I. Joe (Comandos em Ação), no ápice dos anos 80. Outros desenhos foram encomendados, bem como novas linhas de brinquedos, revistas em quadrinhos e, é claro, videogames. Em 2007, Transformers ganhou seu primeiro filme com atores reais (e super robôs digitais). A história era basicamente a mesma do desenho G1, porém com uma maior participação de humanos: Shia LaBeouf como Sam Witwicky e Megan Fox como Mikaela Barnes, entre outros. O filme foi muito bem recebido, sendo aclamado como um dos blockbusters de destaque daquele ano, arrecadando uma bilheteria de mais de 700 milhões de dólares. Por questões óbvias, como quase todo produto do entretenimento eletrônico de hoje, o filme ganhou também sua versão para os videogames, que não foi lá muito bem de notas, apesar de ser uma aventura divertida e com bons gráficos nos consoles de mesa.
Estamos em 2009 e é hora dos Transformers ganharem um novo filme. ''A Vingança dos Derrotados'' (Revenge of The Fallen) continua diretamente de onde o filme anterior parou, com a chegada de novos Autobos à Terra, bem como o crescimento da ameaça Decepticon, liderados agora por Starscream. Para Optimus e seus guerreiros, todo o cuidado é pouco, já que Fallen, um Transformer lendário, também está para despertar e deverá levar a Terra à destruição. O enredo tem tudo para tornar o filme um dos destaques de 2009 e repetir a dose do primeiro longa-metragem, com todas as características do diretor Michael Bay, entre explosões e takes de câmera slow motion chegando ao climax. A fina nata do cinema pipoca. A dose se repete também nos games, onde Transformers: Revenge of The Fallen recebeu versões para todas as plataformas da atualidade, incluindo o PSP. O portátil da Sony, que vem ganhando cada vez mais destaque no mercado graças aos recentes anúncios de hardware e software, infelizmente não foi muito feliz com sua versão do novo Transformers.
Já no primeiro filme, o PSP havia sido ''agraciado'' com a pior versão de todas as plataformas, perdendo inclusive para o DS, graças a um jogo mal programado e mal executado lançado no portátil da Sony. A Savage Entertainment, produtora do primeiro título, retornaria para se encarregar da continuação, mas desta vez mudando um pouco o foco de ação em 3D com missões a serem realizadas para algo mais cru e direto. Revenge of The Fallen para PSP é, basicamente, um game de tiro. Mas não um FPS e sim mais para o lado dos shooters clássicos, como Smash TV. Por incrível que pareça, a ideia da jogabilidade é até interessante e inédita na série, que sempre apresentou jogos de ação e aventura, geralmente em plataforma.
O game já inicia direto na ação, colocando o jogador na sala de guerra dos Autobots, com figurinhas conhecidas como Optimus, Bumblebee e Ironhide. A tela marca o progresso de sua campanha – em porcentagem – de acordo com a facção escolhida. A partir da segunda missão é possível alternar com os botões L e R entre as salas de guerra dos Autobots e dos Decepticons. Após selecionar o cenário (iniciando por Shangai, como no filme), você é levado a uma tela com um breve resumo da missão escolhida, total de pontos adquiridos nela (se você já passou por ali), o tempo que levou para terminar, a quantidade de inimigos derrotados e a quantidade de vezes em que você foi derrotado. O jogo, de certa forma, te obriga a alternar entre os mocinhos e os vilões, já que uma missão vai destrancando a outra.
A maioria das missões envolve apenas atirar em tudo o que se mexer, incluindo aí partes do cenário, além dos inimigos. Os controles podem parecer confusos de início, mas são os mais simplificados possíveis. O disco analógico movimenta seu personagem em todas as direções, enquanto o botão quadrado ativa seu tiro primário, que é infinito. Enquanto atira, seu Transformer fica em ''strafe'', ou seja, fica andando travado em apenas um ângulo. Para movimentar o tiro em 360 graus basta direcionar a partir dos botões L (para a esquerda) e R (para a direita), funcionando de forma similar ao segundo analógico no jogo Super StarDust HD, do PlayStation 3, por exemplo. O botão triangulo ativa o tiro secundário, que é limitado e pode ser recolhido com itens nas fases. O direcional digital funciona de duas formas: para a esquerda ativa um tipo de ataque especial que derrota todos os inimigos em volta, para a direita, seu personagem ganha um tipo de power-up que o deixa mais forte por alguns segundos. As duas manobras especiais consomem a barra de allspark, uma pequena linha violeta que fica abaixo da energia do seu robô. Os maiores problemas da jogabilidade envolvem os comandos imprecisos e até inúteis. O golpe especial seria de melhor uso, por exemplo, se tivesse um alcance maior. A esquiva é outro ponto fraco. Mapeada no botão X, a habilidade simplesmente não funciona quando é ativada, só quando ''quer''.
As fases se resumem a atacar os inimigos e chegar até o final, sem cumprir determinados objetivos ou missões pré-determinadas. Há, no máximo, algumas tarefas simples, como destruir determinado inimigo, que por sua vez geralmente é o chefe de uma fase. Existe a possibilidade de atingir algumas metas de pontos para gravar em seu High Score, a partir de um sistema de combos, encaixando golpes entre os inimigos e ganhando medalhas por terminar a fase em um número de minutos. Há uma pequena variação de cenário e de jogabilidade em algumas fases em que você controla um Transformer em forma de veículo. Nesses estágios o seu objetivo é destruir um alvo passando por diversos inimigos antes. O modo de corrida não é satisfatório, já que é sem graça e não traz nenhum tipo de feeling. Seu carro simplesmente patina pela pista e se bater em algum obstáculo ele simplesmente para, inerte, sem sofrer qualquer dano, voltando a correr logo depois. Ah, uma ponto bem negativo: Nas fases de tiro não é possível se transformar em veículo. Uma lástima para um jogo onde personagens se chamam Transformers. Um modo para dois jogadores está presente, colocando dois robôs em forma cooperativa atirando pelo cenário, mas só nas fases principais. O multiplayer é apenas local, via ad-hoc.
Os gráficos de Transformers: Revenge of The Fallen variam no PSP. Enquanto os personagens são até bem modelados, com uma boa quantidade de detalhes, os cenários são uma grande falha, sem qualquer inspiração de bom design. Como falado, os Transformers estão bem representados, todos com design e cores fieis aos do filme, tanto Autobots quanto Decepticons (só os controláveis). A parte sonora também se divide. A trilha é excelente, a mesma do longa-metragem, o que passa a emoção certa, a dublagem é outro destaque, com as vozes originais de Peter Cullen (o eterno dublador de Optimus Prime) e Frank Welker (Megatron), entre outros. A princípio, os atores que represetam os humanos não estão presentes, pois o foco do jogo é nos robôs.
A versão para PSP de Transformers: Revenge of The Fallen até que se esforça, mas não consegue ser um grande destaque nas adaptações de filmes para os games. O jogo tenta introduzir uma nova jogabilidade à série, misturando o combate dos robôs com elementos de shooter como Super StarDust ou Smash TV, mas falha ao não ter um polimento maior em diversos setores. Como atrativo, podemos jogar com cerca de 10 Transformers no total, divididos entre os maus Decepticons e os bonzinhos Autobots, e a boa dublagem do jogo, que conta com os atores do filme original. De resto, pouco se salva se você não for um fã ardoroso de Transformers, a não ser algumas poucas horas de diversão pelas fases atirando para tudo quanto é lado.




