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A geração atual de consoles conta com abordagens bem diferentes entre seus representantes: o Xbox 360 e sua rede online robusta, o PlayStation 3 e seu armazenamento invejável, e o Wii com seu inovador sistema de controle. Seja lá qual for sua plataforma favorita, é sempre bom lembrar um pouco da história que o levou a elas e honrar as gerações passadas. Prova de que isto ressoa tanto nos gamers nostálgicos quanto em parte dos neófitos mais curiosos é a boa receptividade de jogos que capitalizam no visual retrô.
Uma das companhias que realizou isto com sucesso este ano é a californiana Gaijin Games. Ao lançar a série "Bit.Trip" no WiiWare, eles aliaram jogabilidade clássica a visual retrô e desafio de sobra. Eis que tivemos a oportunidade de bater um papo com Alex Neuse, designer da Gaijin Games, que comenta mais um bocado sobre a série e o que está por vir - além das curiosidades de sempre. Confira a entrevista a seguir!
Sobre a Gaijin Games
FinalBoss: Obrigado por ceder seu tempo! Por favor, apresente-se aos nossos fãs de jogos!
Alex Neuse: Meu nome é Alex Neuse e sou o designer da Gaijin Games.
FB: Quando você começou sua carreira no desenvolvimento de jogos?
Neuse: Comecei na indústria em 1997 no controle de qualidade da LucasArts, onde trabalhei com jogos incríveis como Grim Fandango e Star Wars: Racer. A partir dali, abri caminho rumo ao design, ocupando o cargo de um dos principais designers de Gladius. Depois disto, mudei para a Activision para ganhar algumas habilidades de produtor, e acabei em Santa Cruz, Califórnia, onde trabalhei em Tomb Raider Underworld (DS). Depois disto, tirei uma folga (passei seis semanas no Brasil!), voltei aos Estados Unidos e fundei a Gaijin Games com mais dois colegas da indústria.
FB: Você curte jogar games em seu tempo livre? Se sim, que jogos e gêneros são os seus favoritos?
Neuse: Eu ADORO videogames. Eu os jogo muito em meu tempo livre. Acho que se você quer ser um bom desenvolvendor, você precisa conhecer o meio muito bem. Jogá-los me ajuda a entender melhor a indústria (e é divertido!). Atualmente, tenho jogado bastante Fallout 3. Fora disto, não tem tantos jogos por aí no momento. A série Art Style prendeu bastante o meu interesse, Art Style: PiCTOBiTS e Art Style: BOXLIFE são maneiros. Meu jogo favorito de todos os tempos deve ser Super Metroid.
FB: Quando a Gaijin Games foi fundada? Quantas pessoas trabalham aí, e como é o dia-a-dia da empresa?
Neuse: A Gaijin Games foi fundada em setembro de 2008. Somos três na empresa, e um dia comum consiste de trabalho bastante concentrado das 9h às 18h. Enquanto nos divertimos no escritório, rimos bastante e fazemos piadas o dia todo, trabalhamos bastante pesado. É um ambiente de trabalho bem legal.
FB: Quais são os prós e contras de manter um estúdio independente?
Neuse: O pró esmagador é que temos completa liberdade de criação. Isto é algo com o que nós três sonhamos por anos. Ser independente nos dá esta oportunidade. O maior contra é que, ao ser independente, vem um nível de responsabilidade que você não tem quando trabalha para os outros. Por exemplo: se fizermos besteira, a culpa será somente nossa, e sentiremos todo o peso da repercussão. Até agora, nós não mandamos tão mal, e conseguimos dar a volta por cima de quaisquer erros que tenhamos cometido. Este é outro pró de ser pequeno. A habilidade de ser ágil é muito maior.
Sobre Bit.Trip: Beat & Core
FB: É interessante ver a forma como Bit.Trip: Beat - até onde vimos - une estéticas da velha guarda e jogabilidade contemporânea, mesmo que pareça traiçoeiramente simples à primeira vista. De onde veio a inspiração?
Neuse: A inspiração para a série vem do meu amor por jogos clássicos e a noção de que jogos não precisam ser complexos para serem bons. Existem muitos jogos bem simples que são notavelmente divertidos. No começo do projeto, nossa equipe se juntou e discutiu problemas em relação ao escopo do projeto. Já que éramos apenas três pessoas, sabíamos que não poderíamos fazer um título multimilionário de alto padrão. Então nos concentramos em algo que poderíamos fazer. Então aconteceu de complementar muito bem o estilo no qual eu queria trabalhar.
FB: O que os levou a escolherem o WiiWare no lugar da XBLA e PSN? Existem planos de trazer seus jogos para outros sistemas?
Neuse: Escolhemos o WiiWare por algumas razões. A principal é o controle. Queríamos algo que trabalhasse no lugar de um controle giratório. Usando o direcional digital, alavancas analógicas e/ou botões superiores realmente não estava nos dando os resultados que queríamos. No momento em que fizemos um protótipo dos controles com o Wii Remote, sabíamos que tínhamos que fazer o jogo para aquela plataforma. Além disto, tínhamos acabado de sair de "Tomb Raider: Underworld" para o DS e estávamos bastante familiarizados com o modo com que a Nintendo trabalha, então isto estava em nossa zona de conforto. Quanto a trazer a série para XBLA e PSN, ainda não temos certeza. No entanto, certamente já discutimos isto. Quem sabe. A vida é longa e provavelmente acabemos fazendo isto se fizer sentido para nós. Mas se acontecer, certamente não será por um bom tempo ainda.
FB: Já que parte daquela experiência pura dos arcades se baseia em conseguir altos recordes (e esfregá-los na cara dos amigos), existem planos de incluir suporte a tabelas de recordes online nos próximos episódios?
Neuse: Nós estamos pesquisando os leaderboards online para a série, mas até que possamos fazê-lo direito e com um conjunto de recursos pleno que achemos competitivo e empolgante, provavelmente nos conteremos em relação a isto. Se o fizermos, queremos garantir que estamos fazendo certo. Não está fora de questão para os próximos lançamentos, no entanto.
FB: Em seu andamento, Bit.Trip: Beat é muito difícil. Bit.Trip: Core vai seguir o mesmo rumo?
Neuse: Bit.Trip: Core tem jogabilidade bem diferente de Bit.Trip: Beat, então acho que os jogadores que são melhores no controle digital se sairão melhor em Core. No entanto, o jogo ainda é bem desafiador. Eu diria que eles são similares em dificuldade. Quando vocês jogarem, eu gostaria de saber o que vocês acham!
FB: Já fazem ideia de quanto tempo a saga Bit.Trip durará? O que você pode nos dizer sobre os próximos episódios?
Neuse: São seis jogos planejados na série Bit.Trip principal. Não contarei muito a vocês sobre os próximos episódios, poque quero que sejam surpresa, mas direi que todos seguem a história de CommanderVideo e são sequências diretas a cada um. Eu também direi que a jogabilidade de cada um será diferente dos anteriores da série.
FB: No geral, o primeiro jogo teve o desempenho esperado - receptividade de público e imprensa, vendas e por aí vai?
Neuse: Estamos bastante satisfeitos com como Bit.Trip: Beat se saiu no mercado e na imprensa. Obviamente, ficaríamos emocionados se ele continuasse a vender e esperamos que continue. Acho que as pessoas são atraídas pelos gráficos claros e design coeso. Esperamos que as pessoas também curtam Bit.Trip: Core assim.
FB: Como a participação de CommanderVideo como personagem jogável em Super Meat Boy se tornou realidade?
Neuse: Edmund McMillen é amigo nosso, e outro desenvolvedor de jogos aqui em Santa Cruz. Nós visitamos os escritórios um do outro constantemente para conferir o que cada um está trabalhando. Eu o respeito imensamente como designer, e ele é um cara bem bacana. Um dia nós estávamos falando das participações especiais em Super Meat Boy, e ele citou que gostaria de incluir CommanderVideo no jogo e eu fiquei lisonjeado e honrado ao dizer que sim. Afinal, CommanderVideo e Meat Boy são amigos. Eu imagino se Meat Boy aparecerá em algum jogo da série Bit.Trip...
Sobre o mercado atual e o futuro
FB: Bit.Trip ainda tem chão pela frente, então... além disto, o que está por vir para a Gaijin Games?
Neuse: Agora, estamos nos concentrando primariamente na série Bit.Trip. Depois disto, tenho certeza de que surpreenderemos as pessoas com o que faremos na sequência. Digamos que os jogos estilo arcade e retrô não são as únicas coisas nas quais estamos trabalhando.
FB: Qual a sua opinião sobre jogos de PC?
Neuse: Honestamente, não gosto de jogar games no meu PC. Isto não quer dizer que jogos de PC são ruins ou que não deveriam ser feitos. Certamente não. As pessoas deveriam fazer seus jogos para quaisquer plataformas que acharem apropriadas. Mas em se tratando de mim mesmo, não curto sentar à minha mesa para jogar jogos. Prefiro ficar de bobeira no sofá com um controle na minha mão.
FB: E o que você acha dos consoles da atualidade (360, PS3, Wii)?
Neuse: Gosto de cada um deles por razões diferentes. O 360 tem aquelas conquistas malditas, que foram a melhor e pior invenção da história dos videogames! Eu as adoro. Eu as quero! Mas acabarei jogando um game mediano no 360 no lugar de um jogo ótimo em outras plataformas só para consegui-las. Preciso me livrar do meu vício... ;) O Wii vem meio que em segundo lugar para mim enquanto jogador. Adoro o serviço WiiWare, e gosto do controle -- mesmo se os desenvolvedores ainda estejam para realizar seu potencial pleno. E o PS3 é ótimo para jogos experimentais como Flower, flOw, e PixelJunk Eden. Honestamente, eu jogo mais meu 360 do que os outros consoles.
FB: E os sistemas portáteis (DS, PSP, iPhone)?
Neuse: Seja lá por qual razão for, não tenho jogado nada no meu PSP. Eu jogo DS o tempo todo. A Gaijin Games pode acabar trabalhando tanto no PSP quanto no DS em longo prazo, mas já que tivemos muita experiência com portáteis no passado, acho que estamos mais animados com os consoles.
FB: Até o momento, seus jogos foram exclusivos à distribuição digital. O quanto vocês gostam disto? Existem planos de lançar no varejo?
Neuse: Um dos nossos valores de empresa é continuar via distribuição digital sempre que possível. Nós realmente gostamos da ideia de não criar produtos físicos. Acho que a maioria da mídia digital continuará neste sentido e videogames não devem ser exceção. Isto ajuda o mundo. Sem lixo! Mas saiba que nós podemos acabar fazendo um produto físico para tornar real o escopo de um projeto. Não está fora de questão, mas se pudermos, nosso padrão continuará sendo distribuição digital quase sempre.
Rodada Clássica de Perguntas do FinalBoss
FB: Que jogo o fez imaginar "eu gostaria de ter criado isto", e por que?
Neuse: Rez. Porque é uma bela obra de arte que funciona em todo nível. É um jogo que mudou minha vida.
FB: Além de Ralph Baer [criador de Pong, que foi apresentado a Bit.Trip: Beat], que outros desenvolvedores você admira, e por quais razões?
Neuse: Eu admiro Shigeru Miyamoto por sua habilidade de tornar aceitável a imaginação. Seus jogos são totalmente únicos em como eles o colocam em um mundo que é diferente de qualquer outro e o deixam jogar. Ele é um designer muito imaginativo. Eu também admiro imensamente Tetsuya Mizuguchi. Acho que a compreensão dele sobre o que significa tocar os sentidos de um jogador é rara e sublime. Além disto, um dos designers da Skip Ltd, Hiroaki Ishibashi, é um dos meus favoritos. Seu trabalho nos jogos das linhas bitGenerations e "Art Style" me inspiraram a tornar-me um designer melhor.
FB: Você disse que já visitou o Brasil. O quanto você conhece o país?
Neuse: Só fui ao Brasil uma vez. Fui no verão passado (era inverno aí) para trabalhar em um acampamento de verão chamado Hometown Brazil, realizado pela Concordia Language Villages [curso de imersão em cultura e idiomas]. Foi muito divertido trabalhar com famílias brasileiras e me entender em São Paulo, Cabreúva e no Rio de Janeiro, onde tirei uma semana de férias quando a programação terminou.
FB: Qual o seu conselho para aqueles interessados em entrarem no ramo de desenvolvimento de jogos?
Neuse: Jogue vários videogames. Além disto, agora existem programas em faculdades que ensinam desenvolvimento de games. Eu incentivaria as pessoas a trabalharem rumo a entrarem nestes programas. Antigamente, você podia entrar na indústria com pouca ou inexistente experiência, mas ultimamente, devido à constantemente crescente complexidade dos jogos, estudar em um campo relacionado (ou diretamente no campo de desenvolvimento de videogames) é um grande extra.
FB: Por favor, deixe seu recado aos nossos leitores e fãs de jogos!
Neuse: Agradeço a todos no FinalBoss por me dar esta oportunidade de falar com vocês, e obrigado por continuar a comprar videogames. Todos da Gaijin Games esperam que vocês se divirtam enquanto jogam nossos jogos, e adoraríamos ouvir mais de vocês. Vocês podem nos seguir no Facebook, Twitter e em nosso site oficial. Continuem jogando e continuem sonhando! Sua criatividade conduz o mundo.
O FinalBoss gostaria de agradecer a Alex Neuse e o pessoal da Gaijin Games por ceder um bocado de seu tempo para participar de nossa entrevista, compartilhando um pouco mais de sua visão da indústria - e mostrando que nem só de gráficos mirabolantes de ponta se faz um bom jogo. Fique de olho em nossas próximas entrevistas exclusivas!










