Doom 3 foi um divisor de águas na época de seu lançamento. O game causou um grande reboliço entre os donos de PC devido ao seu alto consumo de hardware e da capacidade de gerar gráficos até então incríveis, algo que acabou se repetindo anos mais tarde com o lançamento de Crysis, na mesma plataforma. O fato é que o jogo estabeleceu um novo patamar gráfico e passou a ser referência em termos de qualidade e uso de tecnologia desde então. O tempo foi passando e o idolatrado título passou a ganhar versões para consoles, além de ganhar uma expansão que dava continuidade a bizarra história em que um grupo de cientistas abre por ''acidente'' um portal diretamente para o inferno, literalmente.
Eis que depois de tanto tempo o iPhone, portátil multimídia da Apple, acabou ganhando também uma versão deste game que é tido como referência dentro do universo dos jogos de ação em primeira pessoa. Doom: Ressurrection é um capítulo a parte dentro do universo recriado por Doom 3. Nele nós entramos na pele de mais um Marine, residente na base militar instalada em Marte, o misterioso planeta vermelho. O desenvolvimento da história é bem diferente do game original, mas nem por isso podemos dizer que o título perdeu a sua essência, muito pelo contrário.
Mas vamos lá, o forte de Doom nunca foi a sua história, apesar desta ter recebido uma turbinada interessante em sua última versão. O que provavelmente vai preocupar a grande maioria dos jogadores é como diabos (rá!) a jogabilidade foi adaptada para um portátil que sequer possui algum tipo de controle, somente uma tela sensível ao toque. Bem, felizmente estamos falando da id Software, uma das empresas mais competentes no que diz respeito ao desenvolvimento de jogos. E é claro, não foi desta vez que eles nos deixaram na mão.
O time de Carmack e companhia soube como adaptar o jogo para o portátil, porém com uma abordagem um pouco diferente. Ao contrário do que acontece em sua versão original, a versão para iPhone é baseada no sistema de ''trilhos''. Isso significa que o jogador não tem liberdade de andar livremente pelos cenários, apenas mirar e atirar em tudo aquilo de nocivo que cruzar o seu caminho. Isso não significa que o jogo ficou prejudicado com isso, muito pelo contrário. A experiência, apesar de diferente do que se espera de um Doom, ficou muito bem adaptada à proposta do aparelho, mostrando-se um ótimo game para os donos da plataforma.
Vamos abordar então o funcionamento dos controles: Nesta versão, a mira é movimentada através do sensor de inclinação do portátil. Portanto, para mirar basta inclinar o iPhone na direção desejada para que o crosshair seja transportado para aquele lado. Inicialmente o sistema pode parecer ruim de se controlar, mas a experiência com o título acaba provando o contrário. Lembrando que, como o jogador não precisa se preocupar em andar pelos cenários, o sistema de inclinação para o controle da mira acaba caindo como uma luva, além de se encaixar muito bem na proposta oferecida.
Bem, este é só um tipo de ação presente no game. Na verdade o jogador tem quatro maneiras de interagir com o jogo, além de inclinar o iPhone para mirar. Elas são representadas por quatro ícones, cada um posicionado em uma diagonal da tela. Na inferior direita temos o botão de tiro, bastando colocar o seu dedo em cima para que o personagem dispare. Na superior direita o jogador pode recarregar a arma enquanto na superior esquerda temos um botão que nos permite alternar entre as armas presentes em nosso inventário. Vale lembrar que o jogo só permite que o personagem carregue três armas de uma vez onde a primeira é uma metralhadora básica e a segunda uma escopeta. A terceira arma é sempre uma arma especial, que geralmente causa bastante dano como a escopeta de cano duplo, a motoserra ou a famigerada BFG cuja tradução da sigla fica por conta de vossa sapiência.
O quarto botão fica no canto inferior esquerdo e é um dos mais importantes dentro da jogabilidade oferecida pelo game. Ele é na verdade um botão de ação que serve para diversos fins, oferecendo diferentes interações de acordo com o que está acontecendo na tela. Por exemplo, os Imps, inimigos que tem como principal ataque uma bola de fogo, só podem ser enfrentados desta forma. Eles lançam o seu ataque contra o jogador e você rapidamente precisa desviar desta bola de fogo, contra-atacando em seguida. Outros adversários lançam diferentes tipos de ataque, exigindo que o jogador decore este timing e faça contra-ataques cada vez mais efetivos.
Além do combate contra os inimigos, existe ainda uma interação mínima com o cenário, neste caso focado na obtenção de itens, munição, medicamento e outras coisinhas que podem ser encontradas entre um tiroteio e outro. Todas as vezes que um item aparece na tela, o jogador pode simplesmente tocar naquela direção, pegando logo em seguida o item. É necessário ter bastante atenção e rapidez na hora de pegá-los, já que ao menor descuido a tela acaba virando e daí é dar tchau e lamentar pela munição derramada. O único porém é que nem sempre a tela responde bem aos seus comandos, fazendo com que você acabe deixando para trás alguns itens no qual precisava ter pego.
A parte gráfica de Doom Ressurrection é sem dúvidas incrível. É facilmente o jogo mais bonito já lançado no iPhone e o que melhor ilustra o poder de processamento do portátil. É claro, o título ainda nem se compara ao original lançado para PC, principalmente com a ausência de Pixel Shaders. Ainda assim, os modelos são excelentes, junto com os cenários. Tudo é bastante rico em detalhes e contam com excelentes texturas. É claro, ainda estamos falando de Doom, um jogo onde você ficará rondando por corredores apertados a maior parte do tempo. Mas ainda assim, a qualidade final do título é realmente muito boa e agrada automaticamente. Facilmente o mais bonito jogo para portátil disponível hoje no mercado, com tudo mostrado em tempo real e com excelente frame-rate.
O único contra realmente aparente no game é o sangue. Todo o resto conta com ótima iluminação, mantendo o clima sombrio característico da série. Porém o sangue, quando jorra, é de um vermelho tão vivo que acaba destoando de todo o resto. O título acaba ficando com uma aparência ''cartunizada'' por conta disso. Bem, não chega a ser algo tão ruim, mas certamente é estranho de se ver. O som segue esta linha, apresentando qualidade tanto nos efeitos sonoros quanto nas músicas. Muitos dos sons utilizados no game são os mesmos presentes na versão original, fato que acabou ajudando a manter a qualidade do game.
Apesar de ser uma experiência guiada, Doom: Ressurrection é sem dúvida um dos jogos mais bonitos disponíveis hoje para um portátil. Fazendo uso do processamento até então adormecido do iPhone, o título faz um belo uso da tela de toque e acelerômetro oferecendo então uma jogabilidade criativa e ao mesmo tempo bastante imersiva. Os gráficos são muito bons e o som segue esta mesma linha de qualidade. Uma ótima opção para os donos do portátil da Apple e mais um exemplo de competência quando o assunto é id Software.










