Promessa é dívida e Soulcalibur: Broken Destiny chegou para ficar. Após o sucesso da super bem produzida versão de Soulcalibur IV para consoles HD, os holofotes se voltaram para o inusitado anúncio de uma edição da série para o PSP, a primeira para um portátil. É claro que não era possível converter fielmente um título designado para os hardwares mais poderosos do mercado, mas a companhia conseguiu fazer o máximo possível com as limitações existentes ao produzir esta versão quase original. Ou seja, melhor não tinha como ficar em termos de gameplay e gráficos.
A jogabilidade de Broken Sword é basicamente a encontrada em SCIV, com os mesmos sistemas de combos e mecanismos de defesa e contra-ataque que tornam a franquia uma das mais estratégicas do gênero de luta. Até mesmos os Soul Gauge, Soul Crushes e Critical Finishes, elementos que estrearam na última vertente, assim como o sistema de criação de personagem, foram traduzidos para o portátil.
Uma das primeiras coisas que merecem destaque em Broken Destiny é sua qualidade visual. Foi impressionante o trabalho da Namco em manter um alto nível de detalhes nos modelos e cenários, mesmo que tudo tenha sido reduzido de resolução e tamanho. Suaves animações, sempre uma marca registrada na série, também estão no portátil, assim como os cenários épicos em diferentes horários e com iluminações distintas. Não há dúvida de que este é um dos mais belos games do acervo do PSP.
Soulcalibur, diferente de outros títulos de luta, é um jogo de gato e rato, onde quem aprende as nuances da defesa e da esquiva tem vantagem sobre quem sabe apenas bater. Os golpes são executados normalmente com os botões frontais servindo para ataque horizontal (quadrado), vertical (triângulo), chute (círculo) e defesa (X). Os demais movimentos em SC são executados com uma combinação entre esses botões e/ou o direcional digital/analógico. Agarrões, por exemplo, são feitos com golpe (vertical ou horizontal) + defesa, por exemplo. As esquivas são realizada com toques no direcional para cima e para baixo.
O game preza por um sistema de timing preciso onde o jogador que defender um golpe tem milissegundos para retrucar com seu próprio ataque comum. Há golpes que deixam aberturas curtas e outros que são verdadeiros vendelões (grandes aberturas), e quem souber contra-atacar no momento certo terá vantagens. Há golpes indefensáveis – porém bastante previsíveis – e outros que tiram o defensor de sua pose, impedindo um contra-golpe. Há rasteiras, ataques "Denorex" (parece uma coisa, mas é outra) e combos de alguns poucos acertos com raras exceções. Há, no entanto, sequências dificílimas de serem feitas, mas se bem executadas deixam os oponentes sem saber onde defender. São esses mecanismos muito bem equilibrados por sinal que tornam a experiência de Soulcalibur um colírio para os olhos, e a versão PSP é uma autêntica representante.
Broken Destiny oferece quase de tudo que havia de melhor em SCIV, com algumas sensíveis ausências e downgrades perdoáveis. São 29 lutadores ao todo, todos disponíveis logo de cara e, se não temos Darth Vader ou Yoda, ao menos o PSP pode se vangloriar de ter Kratos (God of War) em seu elenco. Apesar das histórias diferentes, o deus da guerra se encaixa com mais naturalidade do que os personagens bônus e estelares das versões para consoles. Até mesmos suas armas, as famosas Blade of Chaos e a Espada de Zeus, tem muito mais a ver com o contexto de Soulcalibur do que sabres de luz. Do outro lado da moeda, temos um segundo estreante bastante diferente. Dampierre é um assassino francês repleto de artimanhas que só Deus sabe como se mantém vivo tamanha é sua falta de jeito. É um cara completamente desajeitado e seus golpes muitas vezes o levam ao chão juntamente com seu adversário – ele tropeça, engana, e ainda por cima seu Critical Finish é absurdamente "nonsense". Enfim, uma adição que acaba representando relativamente bem a diferença entre as versões de console e portátil, principalmente com relação à trama dos jogos.
O game possui uma série de modalidades para um jogador. A primeira é o "Quick Match" que coloca o jogador em um Lobby contra players virtuais, todos controlados pela CPU. O número de vitórias e derrotas que aparece em cada perfil indica o nível de dificuldade daquele adversário. O modo "Story" do jogo se chama "The Gauntlet", mas infelizmente ele não oferece uma história inspirada em SCIV ou na cronologia SC, e em seu lugar temos uma trama baseada nos "contos sombrios", criados para embasar essa trama original que não tem a mesma qualidade das versões principais.
Em The Gauntlet, o jogador ainda participa de uma jornada, mas seja qual for seu personagem escolhido, o desenrolar da trama é o mesmo. Ao menos, se servir de consolo para os jogadores, há um pouco de humor nessa modalidade, que ajuda a quebrar a decepção por não podermos acompanhar a cronologia real dos personagens. As primeiras missões são um longo tutorial, ensinando todas as características presentes na gameplay do jogo e após uma série interminável de lições o jogador continuará seguindo a trama e acompanhando Hilde e seus companheiros em busca de um remédio para salvar a vida do pai de Hilde.
Para tentar adicionar um pouco mais de variedade, a Namco também implementou o "Trials", uma série de desafios envolvendo variações de Survival, onde o jogador deve bater os recordes de vitórias existentes em cada etapa. Há três tipos que bonificam o jogador por seus ataques, por seus contra-ataques ou por ambos, e quanto mais o jogador bater em sequência sem ser atingido, maior é o multiplicador de seus pontos.
Nessas modalidades o jogador adquire itens que podem ser usados no "Creation" onde é possível editar um personagem existente, trocando as cores de sua roupa, ou criar um lutador do zero. São centenas de itens diferentes desde blusas, armaduras, sapatilhas, botas, luvas, capas, tiaras, bandanas, máscaras, cintos, saias, enfim, as opções são muitas. Uma coisa que os jogadores talvez sintam falta – caso estejam acostumados com SCIV – é a ausência dos atributos de RPG que as armas e equipamentos traziam aos personagens customizados.
Por fim temos um versus para dois jogadores via ad hoc. Essa é a única forma de jogar contra um oponente humano e felizmente, diferente das versões console, quase não há presença de lag, o que significa partidas suaves, ininterruptas e quase perfeitas.
Para completar as opções principais, temos o Records onde ficam registradas todas as "honras" destrancadas. São 50 no total, e os métodos para adquiri-las incluem bloquear 10 vezes em um mesmo round, executar 5 esquivas laterais, e por aí vai. No Options, os jogadores têm a opção de escolher dublagem em inglês e japonês, mas fica ao gosto e critério de cada um. Nossa única reclamação – que não é sobre um defeito, deixemos bem claro – fica por conta da estranheza que foi ouvir Kratos falando em japonês quando entra em cena.
Longe de ser uma versão meramente capada, Soulcalibur: Broken Destiny oferece aos usuários do PSP tudo que há de melhor em SCIV. Gráficos reduzidos não tiram o fascínio que suas imagens passam, com seus belos cenários, animação suave, personagens detalhados e efeitos de luz – a Namco realmente se superou ao trazer essa conversão. Uma pena que a quantidade de destrancáveis, tão absurda e empolgante nas versões de console, tenha sido limada, e o modo história não apresentar a mesma qualidade costumeira da série. Mesmo assim há muito para se entreter na edição portátil, incluindo dois novos e exclusivos personagens que adicionam ainda mais variedade ao elenco de 29 lutadores, mais uma infinidade de criações que o pomposo modo de criação proporciona. Vale mais do que uma mera conferida.










