Existem certos jogos em que o nome em si já fala pelo conteúdo. Jogos em que, não importa a opinião das outras pessoas, agradam os fãs de qualquer maneira. Halo é uma delas. O jogo pode possuir alguns defeitos bastante primários, mas é fato que o game agrada um grupo de usuários realmente grande. Será o conteúdo? Ou será a história? Aparentemente é uma mistura das duas coisas. Não é a toa que o título já gerou vários livros que falam sobre acontecimentos fora da esfera do game, tornando este universo ainda mais complexo. Halo 3: ODST é mais uma investida dentro deste universo. A novidade aqui fica por conta da ausência total de Master Chief, o que permitiu aos produtores adotarem uma narrativa um pouco diferente do que se viu até agora.
A história de Halo 3: ODST se passa entre o segundo e o terceiro capítulo da série. Os Covenant invadem mais uma vez a terra e começam a vasculhar a cidade de New Mombasa, na procura de algo que não fica totalmente claro no início, mas quem acompanha a história mais a fundo acaba descobrindo em pouco tempo do que se trata. Ao invés de encarar o super soldado protagonista da série, Master Chief, o jogador desta vez encarna em um membro da ODST (Orbital Drop Shock Troopers), uma espécie de tropa de elite (RÁ!) futurista, geralmente enviada com o objetivo de concluir missões de suma importância para a UNSC.
A narrativa de ODST é um pouco diferente da apresentada nos demais games da série Halo. É preciso ter em mente que estamos falando de toda uma equipe de soldados treinados, e não um só personagem, de forma que a Bungie precisou pensar em uma maneira de acompanhar os acontecimentos relacionados a cada um deles durante toda a trama, tudo isso sem perder o foco e o desenrolar da história. E não é que ela conseguiu? A narrativa tem foco em uma série de lembranças listadas em ordem, de maneira que a história vai se moldando aos poucos e ganhando força com o tempo. É difícil dar maiores detalhes sem que alguma surpresa seja estragada, portanto deixamos a missão de explorar este aspecto do game para vocês.
O fato do game se passar entre o segundo e o terceiro capítulo da série permitiu que o jogador tivesse uma visibilidade melhor dos fatos ocorridos na terra durante a ausência de Master Chief. O impacto causado pela invasão Covenant em New Mombasa é retratado de uma maneira bastante cinematográfica, mostrando o quão destruída a cidade ficou. Lembrando que, como o game se passa depois de Halo 2, o jogador fica sem enfrentar os Elites, talvez a raça mais bacana de toda a série e que infelizmente foi perdendo participação nas batalhas conforme a história do game evoluía. Ainda assim, a participação das demais raças é consistente, permitindo que os produtores preparassem lutas épicas ao longo do game.
Para que isso se tornasse possível, os responsáveis pelo desenvolvimento do jogo precisaram fazer um uso mais intenso de determinados recursos durante o desenrolar do game. Prepare-se para ter um contato maior com batalhas motorizadas, sejam elas terrestres através de Warthogs e Scorpions, ou aéreas através de Banshees. A intensidade dos combates é evidente, e o bom uso da inteligência artificial de seus parceiros permitiu que eles se tornassem ainda mais divertidos. Outro recurso bacana foi colocar o jogador diante de hordas imensas de adversários. A quantidade de inimigos aumentou bastante, exigindo que o jogador colocasse à prova toda a sua habilidade na hora de atingir seus adversários, fazer uso de seus pontos fracos e buscar abrigo, contando com alguns milésimos de segundo na hora de tomar todas estas complicadas ações. Mas nem todas as novidades são tão interessantes.
O título sofreu algumas modificações nos controles. Não é mais possível empunhar duas armas ao mesmo tempo, novidade que apareceu pela primeira vez em Halo 2. A explicação mais lógica para tal seria que, neste caso, estamos jogando com soldados normais, mesmo que super treinados, e não com uma espécie de ciborgue dotado de força sobre humana e sistemas avançados de auxílio durante o combate. Também não podemos mais fazer uso daqueles escudos bacanas presentes em Halo 3. No lugar disso, os soldados da ODST contam com um visor especial que permite ao seu usuário ter uma percepção mais aguçada daquilo que o cerca.
Os adversários aparecem com maior clareza no escuro, já que seus contornos são realçados por este sistema. O mesmo acontece com o cenário, que parece ficar ''desenhado'' quando estamos utilizando esta visão. Isso permite que o jogador se movimente com maior facilidade em ambientes com pouca luz, e como estamos em uma cidade recém atacada, não é de se espantar que muitos lugares estejam carentes de uma boa iluminação. De certa maneira, isso acabou deixando o jogo um pouco mais fácil do que os demais títulos da série Halo, já que é possível ver com exatidão a localização de seus adversários, mesmo que alguns obstáculos menores estejam no seu caminho. Nada que um aumento na dificuldade do game não resolva. De qualquer forma, a narrativa do game permite que diferentes ''temas'' sejam utilizados nas missões.
As memórias no qual o jogador tem contato são de outros membros da equipe de ODST, que por algum motivo acabaram se desgarrando do grupo. Acontece que cada um possui sua especialidade no campo de batalha. Um dos personagens é especialista em assalto, fazendo uso de armas mais pesadas e o seu estágio é totalmente baseado nesta habilidade. Outro é especialista em rifles de precisão, e a prioridade em seu estágio é dar cabo dos adversários usando uma distância segura. Isso permite que o jogador faça um uso mais intenso das diferentes armas presentes no game, tornando a experiência um pouco mais completa.
Sim, mais completa, mas não mais duradoura. A campanha principal do game dura em média 5 horas. Para um conteúdo vendido como completo, certamente é muito pouco. A alternativa dos produtores para aumentar um pouco a longevidade do game foi introduzir o modo ''Tiroteio''. Ele lembra bastante o modo Horde de Gears of War 2, onde o jogador precisa enfrentar uma onda interminável de adversários, de maneira que a cada sessão vencida o jogo fique mais e mais difícil. A grande graça deste modo é jogar junto com outras pessoas, seja através de multiplayer local ou pela Live. Também é possível jogar sozinho, mas a tendência é de que a experiência não seja tão divertida quanto poderia ser caso fosse apreciado online. A quantidade pequena de conteúdo não é o único problema do título, sendo a parte gráfica outro ponto que deixa um pouco a desejar.
É difícil ver alguma evolução realmente significativa no engine gráfico desde Halo 3. A única coisa que realmente percebemos foi uma melhora no Motion Blur. Ainda assim, o uso do efeito é bastante sutil e dificilmente o jogador notará alguma diferença, caso seu objetivo não seja prestar atenção unicamente aos gráficos do jogo. Não que eles sejam ruins, mas depois de tantos lançamentos para o console, a impressão é de que eles são um pouco datados. Seria impossível comparar o nível de detalhes e supremacia técnica de Gears of War 2 com o visto em Halo 3: ODST, por exemplo. Ainda assim, estamos falando de um game que preza pela jogabilidade, oferecendo uma história que prenda de verdade os fãs da série, e isso o jogo faz muito bem.
Já na parte sonora a história é outra. O título possui uma trilha sonora viva e emocionante, que se encaixa com maestria aos momentos mais tensos do título. As composições orquestradas trazem a emoção de um filme épico, e os efeitos sonoros garantem a imersão das partidas. Mais uma vez, o destaque vai para a dublagem do título, excelente como sempre. A melhor parte é que, assim como Halo 3, o título está totalmente em português, tudo feito com bastante qualidade. Sem dúvidas é um incentivo a mais para que possa ser apreciado da melhor forma possível, dando atenção à todos os detalhes da história e focando na jogabilidade, sem a distração de ter que prestar atenção em legendas ou dublagens em outro idioma.
Halo 3: ODST não chega a apresentar uma evolução gráfica ou de jogabilidade significante, mas acerta em cheio no que realmente importa: a diversão. Apesar da pouca duração da campanha principal, o título tenta estender um pouco sua longevidade com a implementação de um novo modo chamado Tiroteio, além do consagrado multiplayer de Halo 3, presente em um segundo disco. A trilha sonora é empolgante e complementa de forma bastante natural os momentos mais tensos do título. Como já era de se esperar, os fãs não podem perder.










