Tudo começou com X-Men Legends, em 2004, lançado para as principais plataformas da época, o GameCube, PlayStation 2 e Xbox. Novidade na ocasião, o jogo colocava os principais personagens do eixo mutante da Marvel Comics em uma aventura com elementos de RPG, como atributos, nível de experiência, habilidades configuráveis, entre outros pontos. Com isso, a Activision estabeleceu um novo gênero com a série de jogos, que seguiu com X-Men Legends II: Rise of Apocalypse, aumentando o número de personagens jogáveis e inserindo novos elementos para os já existentes. A fórmula agradou, já que os fãs dos mutantes – até então – não tinham muitas opções de jogos que não fossem os títulos de luta da Capcom ou os terríveis games baseados em filmes. Mais tarde, a fórmula do sucesso acabou por render outro jogo, desta vez ''abusando'' um pouco mais da licença Marvel Comics, e pegando emprestado todos – por que não? - os personagens da editora de quadrinhos apelidade de Casa das Ideias.
Produzido pela Vicarious Visions, Marvel: Ultimate Alliance foi lançado em 2006 e trouxe em seu catálogo mais de 140 personagens, entre heróis e vilões da editora. A jogabilidade principal se manteve de X-Men Legends, mas com algumas adições, ainda que mínimas. Mas, o principal charme era reunir tantos personagens queridos de uma só vez, em uma saga que colocava uma aliança de heróis contra a aliança de vilões (daí, Ultimate Alliance, sacou?). O jogo foi relativamente bem recebido por crítica e público, lançado diversos consoles e portáteis, incluído Game Boy Advanced e PSP, com direito a personagens exclusivos. Infelizmente, como nem tudo é perfeito, alguns fãs reclamaram e inconsistências do jogo, como personagens mortos nos quadrinhos e inexplicavelmente vivos durante o jogo, a mistura das linhas ''Ultimate'' e original de heróis (não tente entender este angú), e a questão de relação de poderes entre, por exemplo, uma barra de ferro e o martelo do Thor. Apenas questões básicas e licenças poéticas para se fazer um verdadeiro produto de entretenimento, sem se preocupar com pontos muito técnicos e não se prender a fanatismos.
A continuação natural, Marvel: Ultimate Alliance 2 chegou para ser uma sequência ainda mais completa, com tudo o que tinha no primeiro, mantendo os principais elementos da jogabilidade, mas com boas adições e melhorias. O número de personagens aumentou, indo dos medalhões de sempre, como Homem-Aranha, Wolverine, Homem de Ferro, outros personagens que ganharam destaque recente graças ao cinema, como Deadpool e Gambit, incluindo até mesmo a participação de algumas das figuras mais obscuras do Universo Marvel, como Namorita, Speedball, Prodígio e Flama. Com isso, podemos afirmar que este já é um grande avanço em relação ao primeiro jogo, que prezava pela fama dos personagens participantes, com algumas pequenas pontas de coadjuvantes obscuros. Mas, a vasta gama de heróis (e vilões!) não é gratuita, já que ''Ultimate Alliance 2'' utiliza como base uma recente saga da Marvel Comics, que teve reflexos em todo o universo da editora, influenciando a vida do menor ao maior personagem, a ''Guerra Civil'' (''Civil War'', no original).
Apesar de se basear na Guerra Civil, o jogo começa um pouco antes, relatando fatos também tirados do gibi, desta vez da saga ''Guerra Secreta'' (''Secret War''). Favor não confundir com as Guerras Secretas, da década de 80. A atual Guerra Secreta colocava um grupo de heróis selecionados por Nick Fury para invadir a Latvéria, país fictício dominado pelo Dr. Destino. Entretanto, Destino está morto (tanto nos quadrinhos, quanto no game, já que o jogo anterior culminou com a derrota do vilão). Lucia von Bardas é a atual governante do local, eleita com a ajuda do governo americano, após a queda de Destino do poder (isso te lembra alguma coisa na área do Iraque?). Tudo estaria bem, se não fosse por conta de algumas estripulias cometidas por von Bardas no governo da Latvéria. Secretamente, ela financiava tecnologia para supercriminosos através do Consertador, clássico vilão do Homem-Aranha, gênio da tecnologia. Por conta deste problema, descoberto pela inteligência da S.H.I.E.L.D., Nick Fury enviou o grupo de super-heróis secretamente ao local, sem a autorização do governo dos EUA, para depor von Bardas e assumir o controle da tecnologia utilizada para benefício dos super-vilões. A história narrada no game é fiel à original, com exceção da ausência de Daisy Johnson, uma personagem novata que aparece nos gibis, com poder de criar tremores de terra. É óbvio que isso não iria ficar barato, e von Bardas tem sua chance de retaliação, retornando com um ataque à Nova York.
Com toda a confusão, Nick Fury desaparecido, a S.H.I.E.L.D. possui uma nova líder, Maria Hill, enquanto o governo dos EUA prepara uma nova lei para conter o enorme avanço das super-ameaças, sejam heróis ou vilões. A Lei de Registro de Super-Humanos prevê que todos os seres super-poderosos se registrem legalmente, revelando inclusive sua identidade secreta durante o cadastro, e passem a agir com o aval do governo americano, respondendo diretamente às autoridades em caso de algum problema sério, como consequências do combate ao crime (eventuais destruições ou mortes, por exemplo). A lei, entretanto, não possuia força para seguir por si só, mas logo isso é remediado. Os Novos Guerreiros, grupo de heróis liderados por Speedball, grava mais um de seus programas de reality show perseguindo vilões, Impiedosa, Homem de Cobalto, Speedfreek e Nitro. O que não esperavam era a enorme explosão causada por Nitro ao ser atacado pelo grupo. Com isso, cerca de 600 de pessoas morrem, incluindo os Novos Guerreiros (com exceção de Speedball), o produtor, o câmera do programa e dezenas de crianças que estavam na escola ao lado.
Após esse desastre, onde Vingadores, X-Men e outros personagens Marvel se juntaram para ajudar, a lei de registro foi novamente levada ao Congresso Norte-Americano, onde foi apoiada por Tony Stark (o Homem de Ferro) e outros super-heróis, incluindo Reed Richards (do Quarteto Fantástico) e Bishop (dos X-Men). Obviamente, muitos personagens se opõem ao registro, como Luke Cage, Cable, Falcão e Demolidor. O grupo anti-registro e contra o governo, agora considerados criminosos, é liderador pelo Capitão América, que luta pela liberdade acima de tudo (e não somente pelos Estados Unidos, como muitos pensam). Assim, o mote da saga é a clássica chamada ''De que lado você está?'', com cada facção tendo seu líder (Homem de Ferro/pró-registro x Capitão América/anti-registro) batalhando entre si juntamente com os heróis aliados e inimigos. Nos quadrinhos, a saga ficou famosa em todo o mundo por conta do Homem-Aranha que, inicialmente, foi pró-registro e revelou sua identidade secreta em rede nacional, para comprovar seu comprometimento com a causa.
A partir daí, o jogo segue de perto alguns elementos da saga, como a adição de personagens aos dois lados do conflito. Com isso, após algumas horas de jogatina, o jogador é forçado a escolher um lado da Guerra Civil e assim prosseguir a história. Se registrar ou não? Caso opte pelo ''sim'', o jogador irá combater o grupo do Capitão América e prender super-heróis rebeldes. Caso escolha o ''não'', será necessário resistir bravamente em seu esconderijo secreto e lutar contra as ofensivas do grupo liderado pelo Homem de Ferro, incluindo heróis e até vilões reformados. Se contarmos mais do que isso, podemos estragar a surpresa tanto para quem quer ler a saga nos quadrinhos, quanto para quem quer aproveitar o jogo para conhecer todos os fatos.
Apesar de tentar se esforçar para ser uma aventura digna do nome dos personagens da Marvel Comics, ''Ultimate Alliance 2'' no PSP pode ser considerado uma grande decepção para aqueles que esperavam poder levar a Guerra Civil no bolso. Bem, não quer dizer que não aconselhamos ninguém a comprar o título, principalmente com as maravilhas da distribuição digital da PlayStation Store (onde, em breve, este jogo deve aparecer, graças ao PSPgo), afinal, o dinheiro é da pessoa e ela faz o que bem entender, certo? Mesmo assim, pense duas vezes antes de investir aquela graninha guardada para um título melhor. A versão portátil de ''Ultimate Alliance 2'' não chega nem perto da edição para consoles, que pode não ser uma obra-prima, mas que diverte.
A história segue a mesma linha das versões para console, com os mesmos diálogos, cut-scenes e plots, o problema mesmo está na jogabilidade, que é o coração de um game. Podemos dizer que o esquema de controles foi bem adaptado para o PSP, bem como a ''hud'', ou seja, a interface do título. Cada personagem tem seu ícone mostrado em um canto da tela, enquanto dados como energia e poder especial ficam junto de seus respectivos retratos. Os comandos ficam espalhados em todos os botões do portátil, com direito a combinações para realização da fusão, o novo elemento de destaque na série, e os poderes especiais. O botão ''R'' ativa o atalho para os especiais, enquanto o ''L'' fica a cargo das fusões de personagem.
Os combates permanecem quase intactos, também com mudanças aqui ou ali. Você controla apenas um personagem, enquanto cada um possui uma barra vermelha (energia) e azul (super-poder), cada uma reduzindo de acordo com sua progressão, apanhando ou utilizando suas habilidades. O sistema de upgrades continua o mesmo, com possibilidades de distribuir novos pontos manualmente ou automaticamente em cada personagem. A grande inovação do combate, porém, reside na fusão de poderes.
Aqui elas funcionam de forma ligeiramente diferente. Enquanto nos consoles ela é apenas um golpe especial em conjunto de dois personagens, no PSP a fusão é um estilo de mini cut-scene durante as lutas. O efeito é legal e a contagem de pontos é diferente, concedendo até uma insígnia de acordo com o tipo de ataque utilizado. É um dos poucos pontos altos do título, que daqui para frente só tende a cair.
O principal problema está no framerate, muito baixo, até mesmo para os padrões dos jogos mais pesados rodando em um PC barato. Chega a irritar quando uma quantidade grande de inimigos aparece na tela e seu personagem fica em câmera lenta para andar e atingir os alvos. É frustrante tentar encaixar um combo na hora e local corretos e acabar não saindo simplesmente, porque o jogo é mal-programado. Isso sem falar no lag que você vai encontrar ao espancar seus adversários. Isso mesmo, lag, como se você estivesse jogando online. Antes fosse, já que o game, para completar suas imperfeições, não apresenta nenhum modo multiplayer.
Os gráficos não chegam a ser hediondos ou de mal gosto, mas poderiam ser bem melhor trabalhados. Entretanto, esse não é, nem de perto, o principal problema apresentado. Além de tudo já citado, o jogo passa a impressão de falta de conteúdo, sem boa parte de tudo o que vimos nas versões para consoles. Faltam as opções de trivias e extras destrancáveis, além da impossibilidade de trocar de personagens a qualquer momento das fases, sendo possível apenas nos símbolos da S.H.I.E.L.D encontrados pelo chão. O som continua no mesmo nível, com uma certa piorada graças ao áudio extremamente comprimido. Entre os poucos pontos positivos aqui podemos citar um sistema interno de conquistas e mini-missões para personagens durante as fases. Além disso, três personagens são exclusivos desta versão: Psylocke, Ciclope e Blade.
A versão para PSP de ''Marvel: Ultimate Alliance 2'' tenta seguir os passos das edições ara os consoles de mesa, mas falha em diversos pontos. Todo o trabalho de programação feito no jogo é precário, desde a inteligência artificial dos seus aliados ao framerate muitíssimo baixo. Some isso à falta de conteúdo e você tem o jogo com cara de inacabado, ou melhor, mal-acabado. Se você optar por jogar, serão horas e mais horas de paciência a serem exercitadas com os problemas do jogo, e que, de certa forma, nem valem muito a pena serem gastas, já que você vai encarar essa ''aventura'' sozinho, dada a ausência de um modo multiplayer. Talvez valha a pena para os fãs mais hardcore da Marvel Comics, ou talvez nem para eles...






