Tecmo. Quando você ouve o nome desta produtora pensa logo em jogos de ação frenética no melhor estilo Ninja Gaiden (ou similares). Você logo lembra da alta qualidade dos títulos da série de Ryu Hayabusa, graças ao excelente trabalho da divisão Team Ninja. Entretanto, nem todos tem a mesma sorte, como é o caso do Team Tachyon, outra divisão da produtora e distribuidora. Responsável por jogos como Rygar para PlaySation 2 e Wii, o Team Tachyon ataca agora no PSP, com um game que tinha tudo para dar certo, mas que não foi bem por este caminho. Vamos entender o motivo.
Undead Knights é um daqueles games que você bate o olho e pensa: ''Caraca, deve ser maneiro!'', ideia que, demora um pouco, mas vai abaixo após algum tempo de gameplay. Iniciado o game, a primeira impressão é que você realmente encontrará um jogão pela frente, graças à bela sequência de abertura, com animação em CG de alta qualidade, introduzindo a história ao jogador. Trata-se de uma legítima saga de dor e sangue, literalmente. O jogo roda em torno da família Blood, dois irmãos que encararam o Rei de suas terras após descobrir que sua atual esposa estava abusando do poder e do controle dos súditos. A partir daí, os irmãos foram caçados e mortos em batalha, mas trazidos de volta logo depois como mortos-vivos super poderosos, e daí vem o mote principal.
Revividos por poderes misteriosos, os irmãos Blood - Romulus e Remus, além de Sylvia, noiva de Remus – possuem a habilidade de transformar seus inimigos em mortos-vivos e, por sua vez, aliados. Dessa forma, você faz as vezes de vilão, que vai lutar contra um reino de nobreza e contra soldados ''do bem'', que estão apenas fazendo seu serviço. A premissa é interessante, diferente e até certo ponto original, mas a jogabilidade acaba jogando tudo ao chão.
Pense no game como um Dynasty Warriors modificado, mas voltado para um ambiente limitado ou fechado. Com seu personagem favorito (entre os três citados ali em cima), você irá simplesmente avançar loucamente por corredores, que são, na verdade, as fases do game. Ali, o jogador se deparará com alguns inimigos, não muito variados. Na verdade, eles possuem variações entre si, como habilidades especiais (alguns são mais rápidos, alguns vêm a cavalo) e aparência, mas todos eles chegam em grande quantidade - um verdadeiro exército de clones te rodeará. Ao menos, todos estes ''clones'' servem para alguma coisa.
Com o botão bola o personagem poderá transformar seus inimigos em zumbis amiguinhos da galera, ao menos da sua galera. Os zumbis transformados ficam completamente a seu serviço, como bichinhos extremamente obedientes, você pode até mesmo golpeá-los com suas armas (e acabar com todos eles desta forma), mas o principal intuito é o de auxílio. Os zumbis servem para ataque, defesa e até mesmo para abrir caminho. Cada inimigo é mais resistente à transformação do que o outro, mas isso não será um grande problema, já que, à medida que você avança de nível, vai ficando mais poderoso e com o poder de transformação mais apurado. Com os upgrades (detalharemos mais a frente), é possível ainda modificar seu poder de transformação, aplicando um tipo de ''boost'', apertando o botão bola repetidas vezes. Há um número máximo de criaturas que você pode ''carregar'', mas ele pode ser aumentado com upgrades.
Transformados, eles podem ser comandandos, por que não? Afinal, o que um zumbi não faria em troca de um prato de comida? Na maioria dos casos, eles trabalharão sozinhos, atacando os inimigos que vierem em sua direção, mas é possível dar ordens mais claras. Segurando o botão R você pode direcionar o bando de zumbis para um determinado alvo, sendo inimigo, pronto para ser estraçalhado, ou uma estrutura, pronta para ser derrubada. Como parte cômica, seus zumbis também têm outras funcionalidades. Por exemplo, eles podem deitar um após o outro e formar uma ponte para que seu personagem avance por cima de um abismo. É irreal e é non-sense. Não sabemos se a intenção da produtora foi ter algo engraçadinho no meio do jogo, mas destoa um pouco do tema, já que o game, a todo momento, quer passar a impressão de ser ''mauzão''.
Nas lutas contra os chefes, seus zumbis também terão grande utilidade, porque é quase impossível vencer o oponente com golpes normais. É necessário agarrar uma de suas criaturas e arremessá-la logo depois na direção do chefão. Ele também fica mais fraco para cada zumbis grudado nele. O problema é que todos os chefões são vencidos desta forma, fazendo com que o esquema fique repetitivo e datado após alguns estágios. Entretanto, é possível converter os chefões também em zumbis, uma bela mão na roda em alguns momentos.
Além dos problemas já citados, o jogo não desenvolve sua história de forma clara e satisfatória. Entre os capítulos você só se deparará com uma narração (feita por uma voz que parece que saiu do Gollum, de O Senhor dos Anéis), e uma barra se rolagem com puro texto, sem nenhum tipo de apoio figurativo ou vídeo. É uma pena, já que a história e seu avanço permitiriam que isso fosse desenvolvido, mas a produtora optou por manter as coisas mais ''baratas'', digamos assim.
Para prolongar as partidas, o jogo traz multiplayer e alguns elementos destrancáveis. O modo para mais de um jogador é apenas local e permite que você avance pelas fases de forma cooperativa. Os destrancáveis são upgrades e envolvem novas habilidades, bem como ''perks'', que são elementos que te ajudarão temporariamente em uma ou duas fases. É possível ter um ataque mais poderoso, ser mais resistente, aumentar a quantidade de zumbis sob seu comando, ganhar um novo combo, entre outras habilidades que te auxiliarão na dura missão de batalhar contra o exército do rei. O game apresenta também um sistema de ranking, básico, sem muitas firulas, além de um sistema de conquistas internas, no melhor estilo dos troféus do PlayStation 3.
Há jogos bem mais bonitos no PSP, mas Undead Knights não é tão ruim no quesito gráfico. Entretanto, fica uma ponta de decepção por conta da bela CG que nos é apresentada logo de cara. Nela, temos a sequência que narra a história dos irmãos e da noiva de Remus, com um belo character design até. Assim, quando iniciamos o jogo, vemos algo um tanto quanto diferente, o que é deveras desanimador, pois depois vemos, claramente, um bom conteúdo sendo desperdiçado. A parte sonora reforça o conceito ''mauzão'' do jogo, contendo músicas de bandas do mais puro death/black metal, com direito a logotipos ilegíveis, como manda o figurino.
Undead Knights poderia ter sido muito melhor se a própria história tivesse sido levada a sério, ou ao menos ter sido seguida como um bom título faz. A ideia que rodeia o jogo é muito boa, com todo o lance de transformar seus inimigos em zumbis, meio que te colocando no papel de ''vilão'' da saga, mas a jogabilidade torna este game uma mistura piorada de ''Pikmin'' com ''Overlord''. Os gráficos também não são grande coisa, e não há uma boa desculpa para isso, a não ser pela quantidade de inimigos na tela, que não chega nem a ser considerada enorme. Infelizmente, não foi desta vez que o Team Tachyon colocou seu nome no olímpo das produtoras.










