* Agradecemos a distribuidora Synergex do Brasil pelo envio do jogo.
Qual é o prazer que um ser humano normal pode ter em jogar um game cuja principal atração é ser extremamente difícil? Pergunte aos fãs de "Ninja Gaiden". A série de ação da Tecmo é uma das grandes autoridades no campo dos jogos impossíveis, onde o prazer está concentrado em simplesmente sobreviver aos intermináveis ataques adversários. O alvo desta análise é na verdade um relançamento de Ninja Gaiden II, para o Xbox 360, só que desta vez no console da Sony.
Assim como o primeiro, o título chegou no PlayStation 3 em uma forma remasterizada, que além de trazer a correção de inúmeros problemas, também trouxe conteúdo novo, dando um empurrãozinho naqueles que já curtiram o original e ainda tinham dúvidas sobre conferir ou não esta versão. Ninja Gaiden Sigma 2 possui as principais características presentes na versão disponível no console da Microsoft, mas também conta com algumas modificações, algumas bem vindas e outras nem tanto.
A mudança mais evidente está relacionada a parte gráfica do jogo. O título conta agora com um frame-rate mais suave e com uma menor incidência de quedas, apesar de ainda acontecerem. As texturas apresentam-se em uma resolução um pouco melhor, de maneira que alguns detalhes possam ser melhor observados, além de simulações de relevo mais evidentes do que na versão original. O design dos personagens e monstros continua basicamente o mesmo, como é o caso de Ryu Hayabusa e sua roupa de couro/borracha no melhor estilo "Batman Ninja". Ambas as versões possuem seus altos e baixos. Enquanto no Xbox 360 o jogo se destaca pela maior quantidade de modelos durante a execução das cutscenes, no PlayStation 3 temos uma iluminação mais natural, mais realista.
Apesar desta melhora, existe outra modificação que não agrada tanto, pelo menos aos fãs da série que curtiram o original lançado no Xbox 360. Grande parte da violência gráfica do título foi simplesmente podada nesta versão. Ainda temos desmembramentos e decapitações, mas nada de sangue. E quem conhece Ninja Gaiden sabe que este é um corte e tanto. Enquanto que na versão original as lutas eram banhadas a quantidades absurdas de sangue, com membros que voavam jorrando hemoglobina e mortes cada vez mais agonizantes, nesta a coisa é apresentada de uma maneira um pouco diferente.
Para que esta mudança fosse um pouco mais crível, os produtores tiraram proveito da própria história do game. Desta vez Hayabusa precisa deter o clã Black Ninja, que está novamente em busca da Demon Statue, artefato maligno que tem o poder de abrir um portal para o mundo dos demônios, permitindo assim que estes temíveis seres possam vagar livremente em nossa dimensão. Sendo assim, podemos afirmar que Ryu na verdade está lutando contra demônios, e não pessoas de verdade, correto? Pois é esta a desculpa. No lugar de jatos de sangue, temos uma infame fumacinha roxa, que confirma a suspeita de que nossos adversários não são exatamente seres humanos e sim criaturas de outra dimensão.
Mas não desanime tanto. Digamos que, apesar da falta de todo aquele sangue, temos ainda algumas gotas de hemoglobina voando pelo cenário durante as lutas. Se servir de comparação, podemos dizer que o nível de violência desta versão está mais próxima de "Ninja Gaiden Black", lançado originalmente no Xbox. Olhando por este lado não parece tão mal, tornando esta perda menos irreparável do que pode aparentar. Mas ainda existem algumas ressalvas.
Existem ainda algumas modificações que interferem diretamente na forma com que o jogador avança na história. Por exemplo, não é mais necessário pegar chaves para abrir portas. Você simplesmente chega perto delas e elas abrem, como mágica. Os controles também sofreram algumas pequenas alterações, como a adição de um comando que mostra ao jogador o caminho que deve seguir, caso se encontre perdido. As armas de arremesso também podem ser utilizadas de maneira infinita, sem a limitação de munição existente na versão original para Xbox 360.
Mas estas nem são as alterações mais significativas na jogabilidade. A quantidade de inimigos na tela diminuiu um pouco, talvez como forma de manter uma taxa de quadros mais estável. Como conseqüência, a resistência dos adversários aumentou consideravelmente, exigindo que o jogador perca um tempo um pouco maior durante as batalhas. O que chama mais a atenção é o fato de alguns chefões de fase simplesmente terem sumido, principalmente aqueles que eram considerados impossíveis pelos jogadores. Em contrapartida, temos a chegada de cinco novos chefões, o que inclui uma estátua gigante de Buddha e uma batalha contra uma versão maligna da Estátua da Liberdade.
A impressão que dá é de que a Tecmo resolveu balancear melhor a dificuldade do game, tirando um pouco de seus altos e baixos durante sua evolução. Isso significa que se você joga no modo de dificuldade normal, o game terá uma progressão mais uniforme, de maneira que o desafio aumente de forma gradual até o fim. É como iniciar com o jogo em normal e terminar com ele em hard, iniciar em hard e terminar com ele em very hard. Não existem mais aqueles altos e baixos que faziam o jogador arrancar os cabelos, dado o desequilíbrio que havia no meio do game. Tudo em prol de uma melhor jogabilidade
É claro, quem espera por uma experiência massacrante não ficará desapontado. O título é difícil o suficiente para colocar sua habilidade a toda a prova, e para isso apresenta inicialmente dois modos de dificuldade básicos, Path of the Acolyte e Path of the Warrior. O primeiro pode ser considerado o modo de dificuldade normal do game, mesmo que seja infinitamente mais fácil que o modo normal do primeiro Ninja Gaiden para Xbox. O segundo é um pouco mais difícil e já exige muito mais habilidade do jogador. A nossa recomendação é simples: se esta é a sua primeira experiência na série, vá de Path of the Acolyte e divirta-se. Mas se você já for veterano na saga, comece pelo Path of the Warrior e desfrute de uma dificuldade mais ''de acordo'' com o que se espera de um bom Ninja Gaiden. Depois de terminar, é possível destrancar mais dois níveis, estes sim de arrancar os cabelos e o ânimo de qualquer jogador hardcore.
Para terminar, temos a chegada de três novos capítulos, onde o jogador não controla Ryu Hayabusa, mas sim as três principais beldades do game. São elas, Rachel do primeiro "Ninja Gaiden Sigma", Momoji de "Ninja Gaiden Dragon Sword" e Ayane, personagem clássica da série "Dead or Alive" e que fez sua estréia na série em "Ninja Gaiden Sigma". A inclusão das lutadoras tem um propósito: o modo Team Missions. Trata-se de um modo online cooperativo onde dois jogadores participam de arenas fechadas, cada uma com uma missão diferente.
A participação neste modo pouco interfere em sua vida durante o single player. O objetivo é simplesmente testar suas habilidades, permitindo que você participe de partidas em dupla altamente desafiadoras. Antes de começar, é necessário escolher um dos personagens disponíveis no game, uma arma de proximidade, uma arma de longo alcance e um Ninpo, técnica ninja especial que desfere um poderoso golpe baseado em um dos quatro elementos. A parte boa é que além de se divertir, seja com a companhia de um amigo online ou com a ajuda de um bot offline, é possível também gravar a sua performance durante as partidas, assistindo-as no Ninja Cinema, modo em que é possível assistir replays de suas partidas, permitindo que você analise melhor seus movimentos.
Como podem observar, existem várias mudanças significantes entre a versão original para Xbox 360 e esta para o PlayStation 3. O único aspecto que se mantém praticamente intacto é o som. As dublagens são bem feitas, junto com as músicas e efeitos sonoros bem colocados. Tudo é bem colocado e se encaixa perfeitamente na proposta do game, além de oferecer um feedback sonoro preciso sobre seus movimentos de ataque e defesa.
"Ninja Gaiden Sigma 2" chega no PlayStation 3 com muitas novidades, algumas excelentes e outras nem tanto. O título sofreu algumas alterações que podem não ser de total agrado aos mais ardorosos fãs da série, principalmente os que já conferiram a versão para o Xbox 360. Por outro lado, o conteúdo extra presente nesta versão em conjunto com um melhor equilíbrio na dificuldade do game acabaram por fazer valer algumas destas mudanças. Sigma 2 é um jogo sólido, com jogabilidade viciante e que certamente vai ao encontro dos que amam games difíceis. Mais uma bela opção no PlayStation 3.










